Um israelense apontado como ex-oficial do Mossad cruzou a fronteira entre Brasil e Argentina acompanhado do advogado Roberto Jorge Alexandre na noite em que o senador Flávio Bolsonaro (PL) deixou o país, segundo documentos migratórios argentinos divulgados pelo Fantástico. Menachem Booky Halevy e Roberto viajavam em uma van que passou pelo controle de fronteira cerca de sete minutos antes do veículo associado aos registros de entrada de Flávio, da mulher Fernanda e das duas filhas do casal.
O motorista Neri Luiz Dala Corte relatou ter sido contratado para transportar dois passageiros até o aeroporto argentino de Puerto Iguazú, com embarque previsto em um posto de gasolina de Foz do Iguaçu (PR). Flávio e a família utilizaram esse aeroporto para seguir a Miami, nos Estados Unidos. O senador deixou o Brasil na terça-feira (27/10), dois dias após perder a eleição presidencial para Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mesmo com determinação do ministro Alexandre de Moraes, do STF, proibindo sua saída do país e exigindo a entrega dos passaportes à Polícia Federal.
Registros mostram que o nome de Flávio aparece três vezes no sistema imigratório argentino naquela noite, sempre ligado à mesma van, com intervalo de 34 minutos entre o primeiro e o último lançamento. O registro válido foi feito às 22h37 com passaporte italiano; os lançamentos seguintes, às 22h40 com carteira de motorista e às 23h11 com passaporte brasileiro, foram cancelados. Investigadores avaliam a hipótese de que o senador tenha chegado a Puerto Iguazú em aviões particulares e permanecido à bordo enquanto aguardava a família.
A principal linha de investigação aponta para um jato ligado ao advogado Willer Tomaz, amigo de Flávio, que teria decolado de Brasília às 5h05 e pousado em San Fernando, na região de Buenos Aires, às 8h40, seguido por um segundo voo particular até Puerto Iguazú. Flávio é alvo de inquérito por suspeita de lavagem de dinheiro envolvendo empresas de apostas e plataformas de pagamento ligadas a Willer; nesse caso Moraes determinou a apreensão dos passaportes e a proibição de saída do país. PF examina e-mails que indicam acesso do senador à conta bancária de uma empresa do advogado e pagamento de voos por outra companhia vinculada a ele. Ambos negam irregularidades e afirmam manter apenas relação de amizade.
A assessoria de Willer Tomaz negou à TV Globo que aeronaves dele ou de empresas vinculadas à sua família tenham sido usadas por Flávio ou parentes para deixar o Brasil. Essa versão diverge da publicada pelo jornal argentino Clarín, segundo o qual a família percorreu mais de 1,6 mil quilômetros por estrada após o proprietário de uma aeronave se recusar a realizar o voo. A Justiça argentina determinou a preservação das imagens das câmeras da fronteira e do aeroporto.
A Baires Fly, companhia argentina responsável pelo transporte da família aos Estados Unidos, recebeu US$ 150 mil pela viagem, conforme seu proprietário Luis Grande. Em entrevista à agência France-Presse, ele afirmou que o voo foi pago por um intermediário do setor de aviação nos Estados Unidos, com transferência saindo de uma conta empresarial americana para um banco argentino. O secretário de Estado americano Marco Rubio negou participação do governo dos Estados Unidos nos preparativos da saída do senador.
