No âmbito de uma investigação conduzida pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), o ex-presidente Jair Bolsonaro, em 7 de agosto, negou ter utilizado os R$ 17 milhões arrecadados por doações via Pix — destinadas a eleitores para quitar multas impostas pelo estado de São Paulo por descumprimento do uso obrigatório de máscara durante a pandemia — em repasses a familiares e terceiros, entre eles a ex-primeira-dama Michele Bolsonaro e o filho 03, deputado federal Eduardo Bolsonaro.
Contexto Institucional e Apuração dos Pagamentos
O Coaf identificou, por meio de análise das transações entre janeiro e junho, pagamentos no valor total de R$ 56 mil a Michele Bolsonaro, R$ 77 mil à síndica Leda Maria Marques Crivelatti — condomínio onde reside o filho Eduardo Bolsonaro — R$ 12 mil ao tenente O smar Crivelatti e R$ 14 mil à lotérica Jonatan e Felix, ambas vinculadas ao interior de São Paulo. O ex-presidente confirmou os repasses, afirmando que ocorreram antes do início da vaquinha do Pix, iniciada em meados de junho, e justificou a movimentação sob o argumento de que Michele administra suas contas financeiras.
Nos arredores da CPI dos ataques de 8 de janeiro, solicita-se agora à Procuradoria-Geral da República que aproxime investigações sobre supostos recebimentos de pedras preciosas por Bolsonaro em outubro de 2022, em Teófilo O toni (MG), com possível ligação ao financiamento das manifestações violentas daquele mês.
Mais de R$ 56 mil foram transferidos em seis meses para Michele Bolsonaro, administradora das finanças familiares do ex-presidente.
Repercussão Jurídica e Desdobramentos Imediatos
A defesa de Bolsonaro mantém que os valores foram aplicados em despesas diversas — como alimentação, saúde e apostas na Mega-Sena — e que o repasse à síndica Leda Maria Crivelatti ocorreu sob circunstância coincidental, já que ela é proprietária do imóvel alugado pelo ex-presidente. O tenente O smar Crivelatti, um dos assessores remunerados pelo regime anterior, teria recebido recursos para custear despesas pessoais, segundo justificativa postada nas redes sociais.
A CPI dos ataques de 8 de janeiro já havia requisitado à Procuradoria-Geral da República a abertura de inquérito sobre os supostos recebimentos de pedras preciosas em outubro de 2022, nascido a partir de comunicações obtidas com Mauro Cid, ex-ajudante de ordens do presidente.



