Centenas de moradores de Oleshky, cidade ocupada no sul da Ucrânia, começaram a ser retirados nesta sexta-feira (30) sob um acordo de cessar-fogo negociado com mediação da primeira-dama dos Estados Unidos, Melania Trump. O município, na região de Kherson, está sob controle russo desde abril de 2022 e sofria com bloqueio de rotas por minas e drones, deixando cerca de 2 mil pessoas, incluindo 50 crianças, presas em meio à destruição.
A comissária russa de direitos humanos, Yana Lantratova, afirmou que a entrega de ajuda humanitária a Oleshky passará a ocorrer mensalmente. “Ainda há pessoas em Oleshky que precisam de ajuda”, disse Lantratova. A trégua temporária entrou em vigor na terça-feira e foi ampliada para toda a região de Kherson, trazendo alívio também à capital regional, controlada pela Ucrânia e alvo frequente de ataques de drones russos. O acordo deve expirar no domingo (1º).
O parlamentar ucraniano Davyd Arakhamia informou pelo Telegram que a delegação ucraniana e os moradores retirados partiram em direção a Anapa, na Rússia, de onde seguiriam de avião para Belarus antes de retornar para casa de ônibus. O ouvidor ucraniano Dmytro Lubinets viajou a Oleshky para acompanhar pessoalmente a saída, tornando-se o primeiro representante de alto escalão do governo ucraniano a ir abertamente a áreas ocupadas pelos russos desde o início da guerra. “Estamos em Oleshky”, afirmou ele em comunicado. “As pessoas que querem ir para o território da Federação Russa estão se reunindo aqui, assim como aquelas que desejam partir para o território da Ucrânia. Todos terão essa oportunidade.”
Segundo Lubinets, 25 ônibus com capacidade total para 750 passageiros participam da operação, com previsão de chegada à fronteira ucraniana em algum momento de sábado. Voluntários da Cruz Vermelha transportaram pessoas em macas para ambulâncias durante a retirada. Vídeos divulgados pelo gabinete do ouvidor mostram Lubinets cumprimentando moradores emocionados e conversando sobre quem deseja permanecer na cidade.”Disseram-me que essa é uma escolha deles. Pelo menos vamos garantir que alguma ajuda humanitária chegue até lá”, afirmou.



