O Ministério Público de São Paulo (MPSP) formalizou, em 05/10, laudo pericial indicando que dois revólveres calibre.38, atribuídos aos suspeitos de um roubo em Sorocaba, apresentaram resíduos compatíveis com disparos, embora as armas não tenham sido submetidas à análise pericial no local do crime onde o soldado Matheus Almeida Rodrigues foi morto em abril. A ausência das armas durante o exame realizado pelo Instituto de Criminalística e a constatação de 76 estojos de munição da Polícia Militar — todos com inscrição da PMESP — alimentam uma investigação que questiona a versão oficial de troca de tiros e reforça a responsabilização do motoboy Vitor dos Santos Alencar Conceição, único sobrevivente da quadrilha, mesmo sem ter efetuado disparo.
Contexto Institucional e Evidências Periciais
O laudo protocolado na segunda-feira pelo MPSP, obtido com exclusividade pela reportagem, aponta que os dois revólveres calibre.38 apreendidos posteriormente estavam aptos a disparar e exibiam vestígios de pólvora recentes, indicando uso imediato após a ocorrência. Contudo, a perícia não pôde determinar com precisão o momento exato das descargas, já que as armas não foram analisadas no local do crime em abril, quando o soldado foi baleado e morreu durante suposto confronto com suspeitos em uma farmácia de Sorocaba.
Antecedentes indicam que a Polícia Civil mantém aberto inquérito para investigar possível simulação de reação armada por parte de agentes da PMESP, com base em relatos de que uma arma teria sido colocada nas mãos de um suspeito morto para justificar o uso da força letal. O carro dos envolvidos apresentava perfurações de fora para dentro, elemento que desconstrói a narrativa inicial de troca de tiros entre militares e criminosos.
76 estojos da Polícia Militar foram encontrados no local da morte do soldado Matheus Almeida Rodrigues, todos com inscrição da PMESP.
Repercussão Jurídica e Desdobramentos Imediatos
O MPSP mantém a acusação contra Vitor dos Santos Alencar Conceição como principal responsável pela morte do militar, mesmo na hipótese de que o disparo fatal tenha sido efetuado por policial militar ou não tenha partido dos suspeitos. A Promotoria sustenta que a conduta do motoboy configurou homicídio doloso ao participar ativamente do roubo qualificado e colocar vidas em risco.
Especialistas em direito penal apontam que a ausência física das armas no exame pericial fragiliza a tese acusatória, exigindo maior rigor probatório. O caso segue sob investigação da Justiça Estadual, com próxima audiência marcada para análise de mérito nos próximos meses.



