Em 15 de outubro de 2026, o presidente colombiano Abelardo de la Espriella determinou a retirada de mais de 30 objetos do acervo permanente do Museu Nacional da Colômbia, em Bogotá, desencadeando protestos e uma determinação judicial que preservou provisoriamente os itens, impedindo novas remoções sem justificativa administrativa formal.
Contexto Institucional e Histórico da Medida
A decisão presidencial, fundamentada na orientação de que museus públicos não devem servir à doutrinação política, atingiu peças que representam movimentos sociais contemporâneos, como a bandeira do orgulho LGBTQIA+ pertencente à ativista Elizabeth Castillo, cartazes de campanhas presidenciais de Carlos Pizarro e Bernardo Jaramillo O ssa — assassinados em 1990 — e materiais vinculados à trajetória feminista, incluindo o periódico Nuestras Mujeres (1955) e um manifesto de 1978 defensor do direito à contracepção, ao aborto e à resistência à esterilização forçada.
O s objetos retirados também incluíam símbolos da memória trans, como um par de sapatos produzido em 2016 pela Red Comunitaria Trans em parceria com o Projeto Lafarota, e o 'balígrafo' feito com uma bala utilizada na assinatura do acordo de paz de 2016 entre o governo colombiano e as Farc, representando a transição do conflito armado para a construção democrática.
Mais de 30 itens ligados a direitos humanos, memória histórica e movimentos sociais foram retirados do Museu Nacional da Colômbia por determinação presidencial em outubro de 2026.
Repercussão Jurídica e Posicionamentos
A ministra da Cultura, Paola Holguín, defendeu publicamente a medida, argumentando que o Museu Nacional não pode ser utilizado como instrumento de doutrinação política ou como plataforma para narrativas consideradas parciais da história nacional.
O Juizado 24 de Família de Bogotá determinou, em 19 de outubro, a preservação provisória dos itens retirados sob risco de destruição ou manipulação, proibindo novas intervenções sem justificativa administrativa formal; a ação foi movida pelo congressista Gabriel Becerra e representantes de organizações LGBTQIA+, que buscam proteger a memória histórica e a diversidade cultural diante da censura ideológica.



