No âmbito do Tribunal Superior Eleitoral, o ministro relator Ricardo Villas Bôas Cueva indeferiu o registro de candidatura de Cícero de Lucena Filho para governar a Paraíba nas eleições de 2026, baseando-se em provas que atestam o uso da facção criminosa Nova O kaida para favorecer seu projeto político por meio de coerção territorial e influência administrativa.
Contexto Institucional e Evidências da Infração Eleitoral
A decisão foi fundamentada em investigações conduzidas pelo TSE que revelaram padrões de atuação da Nova O kaida nas eleições de 2020 e 2024, nos quais a organização teria empregado sua estrutura para coibir a atuação de adversários e garantir vantagens ao candidato Cícero de Lucena Filho, mesmo sem vínculo formal com a facção.
Antecedentes indicam que o relator considerou inegável a influência exercida pela estrutura criminosa por meio de negociações com familiares do candidato, envolvendo cargos públicos, concessão de obras e restrição a atos de campanha em áreas sob domínio da facção, configurando abuso de poder político e violação à cláusula constitucional que vedado o uso de organizações paramilitares no processo eleitoral.
O TSE indeferiu a candidatura de Cícero de Lucena Filho por comprovação de uso reiterado da estrutura coercitiva da facção criminosa Nova O kaida para favorecer sua candidatura à governadoria da Paraíba em 2026.
Repercussão Institucional e Próximos Desdobramentos
O ministro destacou que a análise processual do TSE não depende de condenação criminal definitiva, mas sim da demonstração de abuso no âmbito eleitoral, já observado em casos anteriores como o julgamento sobre a candidatura de Flávio Bolsonaro em 2018, reforçando o caráter preventivo da vedação constitucional contra o uso de organizações criminosas.
Especialistas apontam que a decisão cria precedente relevante para futuros pleitos estaduais e pode acionar mecanismos de revisão das coligações partidárias que mantenham vínculos com facções criminosas, além de estimular ações judiciais promovidas pelo Ministério Público Eleitoral contra agentes públicos com histórico de negociação com estruturas ilegais.



