A deflação de 0,32% em agosto, registrada pelo IPCA, reforça as apostas de analistas para o corte de 0,25 ponto percentual na Selic, taxa básica de juros atualmente em 14% ao ano, com decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) prevista para a quarta-feira (16/9).
Contexto Institucional e Antecedentes da Decisão Monetária
A deflação de agosto, a primeira do ano conforme indicado pelo IPCA, surge em um cenário de desaceleração econômica e pressão moderada sobre a inflação acumulada em 3,11% entre janeiro e agosto, dentro dos limites estabelecidos pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), que fixa como meta para 2026 a taxa de 3%, com margem de variação de 1,5 ponto percentual. O Copom, composto pelos diretores do Banco Central, iniciará sua reunião na terça-feira e culminará na divulgação do resultado na tarde da quarta-feira (16/9), data que marca o primeiro ajuste monetário desde maio. A expectativa majoritária do mercado é de redução de 0,25 ponto percentual na taxa Selic, consolidando uma trajetória de flexibilização que já contempla projeções para 13,75% ao ano até 2026.
Antecedentes relevantes para a decisão incluem a inadimplência recorde de 9,2 milhões de empresas em julho, segundo dados divulgados pelo Ministério da Fazenda, e a desaceleração do PIB no segundo trimestre, com crescimento de apenas 0,5% entre abril e junho frente a 1,1% no trimestre anterior. Esses indicadores consolidam um cenário de demanda reduzida e fragilidade no setor produtivo, fatores que embasam os argumentos técnicos favoráveis ao corte da taxa básica.
A deflação de agosto interrompe sequência de alta e reforça projeção de corte da Selic para 13,75% ao ano até 2026.
Repercussão Técnica e Estratégia Econômica do Governo
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, reiterou sua posição favorável ao menos mais um corte de 0,25 ponto percentual na Selic até o final do ano, destacando que a trajetória será definida por dados consistentes e sem grandes oscilações. Em entrevista à Rádio Band News no último dia 6, ele afirmou: 'Deve terminar o ano com 13,75% ou mais baixa', sinalizando alinhamento com as projeções do BC para estabilizar a inflação dentro da meta de 3% para 2026.
O governo também sinaliza medidas estruturais para fortalecer a economia: Hugo Motta acertou com ministros que propostas alternativas voltadas ao programa MEI serão direcionadas a comissão especial composta por representantes do Ministério da Economia e do Banco Central. Essas iniciativas visam estimular o empreendedorismo formal e reduzir a informalidade estrutural.



