As taxas dos Depósitos Interfinanceiros (DIs) subiram nesta terça-feira (3), refletindo temores dos investidores em relação à agenda econômica do governo de Luiz Inácio Lula da Silva. O movimento ocorreu enquanto o mercado aguarda a decisão do Banco Central sobre os juros, prevista para esta quarta-feira (4).
No fim da tarde, o DI para janeiro de 2028 atingiu 14,57%, contra 14,48% no ajuste anterior, enquanto o DI para janeiro de 2035 subiu para 15,4%, ante 15,332%. A alta foi consistente ao longo da sessão, especialmente na ponta longa da curva.
A tensão aumentou após a divulgação de que Lula se encontraria com André Lara Resende, um dos criadores do Plano Real. Lara Resende propõe uma redução gradual da Selic a 7,5% ao ano em 12 meses e o uso de reservas internacionais para conter a pressão sobre o real.
Analistas alertam que essas medidas poderiam pressionar a inflação e colocar em risco as reservas internacionais. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que a proposta tem "deficiências" e não está na mesa de discussão do governo, defendendo um ajuste fiscal gradual.
Durigan também declarou que ainda não conversou com Lula sobre novas indicações para o Banco Central, mas garantiu que as nomeações de novos diretores serão feitas com "rigor técnico" e "diferentes perfis".
Gabriel Jardim, CEO da Trade Arena, afirmou que "enquanto não houver clareza sobre a condução da economia e sobre a regra de gastos, o ajuste aparece primeiro no câmbio e nos juros longos".
O Relatório Focus mostrou que os economistas ainda esperam um corte de 0,25 ponto percentual na Selic na quarta-feira, embora tenham elevado a projeção para o final do ano para 13,50%. Já uma pesquisa da Reuters aponta expectativa de manutenção da taxa em 13,75%.
Marcos Praça, diretor de análise da Zero Markets Brasil, destacou que a forte alta dos juros longos sinaliza um cenário que pode interromper o ciclo de cortes. No mercado externo, o rendimento do Treasury de dez anos subia 5 pontos-base, a 4,946%, às 16h52.
