A diplomacia brasileira analisa os efeitos da vitória democrata nas eleições de meio de mandato nos Estados Unidos sobre a gestão de Donald Trump, avaliando cenários para a relação com o Brasil. A cautela dos governistas brasileiros está ligada à imprevisibilidade característica do presidente americano, enquanto se aguarda a definição dos rumos do governo até a posse dos novos congressistas, prevista para o fim do ano.
A expectativa em Brasília é sobre o comportamento de Trump diante de um legislativo de maioria democrata, apontado como mais crítico ao republicano. Fontes ouvidas pela CNN preveem um enfraquecimento do presidente e riscos de ele ser encurralado pelo novo Congresso, com possibilidade de embates até 2028 e uso frequente do veto presidencial.
Uma das apostas da diplomacia é que um Trump abatido pelo resultado eleitoral terá menos interesse em apoiar a articulação bolsonarista nos Estados Unidos, o que pode ampliar o isolamento de familiares como Eduardo e Flávio Bolsonaro, que residem no país. Apesar disso, questões bilaterais como tarifas contra o Brasil são tratadas pelo Poder Executivo e não dependem do Congresso.
O governo brasileiro afirma que as conversas não foram interrompidas e sinaliza que apresentará uma proposta até a semana que vem. O nível de pressão sobre pautas bilaterais dependerá das prioridades definidas pelo Capitólio na nova composição legislativa.



