Na terça‑feira, 29 de maio de 2023, a Premier League declarou oficialmente que o Manchester City foi considerado culpado de todas as acusações de graves violações das normas financeiras praticadas entre as temporadas 2009/10 e 2017/18, encerrando um processo que demandou mais de uma década de apuração e marcando o início de uma nova fase de confrontos judiciais.
Contexto Institucional e Histórico da Apuração
A investigação da Premier League, coordenada pelo Comitê de Ética e Compliance, reuniu documentos contábeis, registros de transferências e comunicações internas do clube para comprovar a existência de esquemas de financiamento que ultrapassaram os limites estabelecidos pelo Financial Fair Play (FFP). As evidências foram apresentadas em audiências públicas realizadas entre 2021 e 2023, onde peritos independentes analisaram balanços e fluxos de recursos vinculados a parceiros comerciais vinculados ao Abu Dhabi United Group. O escopo da apuração incluiu não apenas receitas e despesas diretas, mas também acordos de comercialização que, segundo a comissão, serviram como mecanismo para injetar recursos privados do proprietário no plantel sem a devida transparência.
Além das infrações financeiras, o caso abrangeu alegações de falhas na disciplina de licenciamento de jogadores e na conformidade com regras de transferência internacional, configurando, segundo a própria Premier League, um padrão sistemático de nono cumprimento das diretrizes regulamentares.
O Manchester City foi considerado culpado de todas as infrações financeiras ocorridas entre as temporadas 2009/10 e 2017/18, um período que abrangeu nove campanhas consecutivas.
Repercussão Jurídica e Estratégias de Defesa
Ferran Soriano, CEO do Manchester City, rebateu categoricamente as conclusões da comissão em vídeo transmitido aos funcionários do clube, classificando o processo como parte de uma "teoria da conspiração" articulada pela liga. Em suas declarações, ele afirmou que provas irrefutáveis demonstravam a inexistência de qualquer aporte financeiro pessoal do proprietário, reforçando a tese de que os recursos provenientes dos patrocinadores foram legalmente registrados. A postura firme do dirigente sinaliza uma estratégia de resistência que deve se estender ao âmbito judicial.
Yasin Patel, advogado da Church Court Chambers em Londres, reforçou a determinação do clube em enfrentar a sanção por meio de litígio estratégico, indicando que o Manchester City disporá "de toda a sua força jurídica" para contestar a decisão. A expectativa é que o caso prossiga para uma nova rodada de audiências na justiça esportiva, com possibilidade de recurso ao Tribunal Arbitral do Esporte (TAS), ampliando o embate entre o clube e a entidade reguladora.



