O Federal Reserve decidiu, na quarta-feira (28), manter os juros inalterados pelos próximos seis semanas, mesmo com o custo de vida sendo apontado como a principal preocupação dos eleitores antes das eleições de meio de mandato nos EUA. Apesar de os preços ao consumidor terem subido 3,7% nos últimos 12 meses e o indicador preferido do banco central permanecer 50% acima da meta, a manutenção da taxa era amplamente esperada pelo mercado.
A decisão leva em conta a fragilidade do emprego, já que a economia americana criou apenas 29 mil vagas em setembro, número abaixo do esperado, e revisou para baixo a geração de postos nos dois meses anteriores. O cenário é descrito como um mercado de "poucas contratações e poucas demissões", com taxa de desemprego em 4,2%, mas com dificuldades para quem busca novas oportunidades.
Além do mercado de trabalho, o Fed considera que os rendimentos elevados dos títulos do Tesouro já produzem um efeito semelhante ao da taxa básica, desacelerando a economia e a inflação. O mercado precificava 91% de probabilidade de manutenção dos juros, segundo a ferramenta FedWatch da CME, e uma elevação poderia provocar um reajuste doloroso nos investimentos.
Há também a possibilidade de influência política na decisão, uma vez que o banco central quis evitar críticas do presidente Donald Trump próximo às eleições. No entanto, o texto lembra que o Fed já alterou taxas em períodos eleitorais ao longo de sua história.
O principal risco apontado é repetir o erro de 2021, quando o banco central subestimou a inflação e acabou obrigado a elevar os juros em um ritmo histórico. Agora, a inflação se espalha para outros setores, com retomada inesperada nos custos de moradia e aluguéis, além da pressão dos investimentos em centros de dados e inteligência artificial sobre eletricidade, materiais de construção e tecnologia.
O texto ainda cita a possibilidade de intensificação da guerra contra o Irã após as eleições, o que poderia pressionar os preços do petróleo. Caso a situação saia do controle, o Fed poderá precisar elevar os juros mais do que o esperado em dezembro, possivelmente em 0,5 ponto percentual, como compensação pelo tempo perdido.



