O presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), ministro Kassio Nunes Marques, afirmou que as missões de observação que acompanharam o primeiro turno das eleições de 2026 não identificaram “incidentes graves” nas localidades visitadas. A declaração foi feita neste sábado (24), em discurso a embaixadores e representantes de organismos internacionais, na véspera do segundo turno, marcado para domingo (25).
Segundo o ministro, os relatórios preliminares das missões nacionais e internacionais trouxeram avaliações “amplamente convergentes”. O presidente do TSE disse ainda que as missões registraram uma votação em geral "tranquila e organizada" nos locais acompanhados.
Kassio citou a OEA (Organização dos Estados Americanos), o Parlasul, o Centro Carter e a Uniore (União Interamericana de Órgãos Eleitorais), que, de acordo com ele, reconheceram a capacidade operacional da Justiça Eleitoral, o funcionamento das urnas, a preparação dos mesários, os mecanismos de auditoria e a transparência da transmissão, da totalização e da divulgação dos resultados.
No discurso, o ministro também disse que 125,2 milhões de eleitores compareceram às urnas no primeiro turno, número superior ao do primeiro turno de 2022. Ele afirmou que a Justiça Eleitoral organiza e protege o processo, mas que “quem conduz a eleição é o povo brasileiro”.
"É para o eleitor, para sua liberdade e para seu direito de escolher o próprio futuro que trabalhamos. Que o segundo turno confirme esse compromisso e que cada eleitor encontre as condições necessárias para exercer seu direito", disse.
OEA apontou ressalvas
Em relatório divulgado em 6 de outubro, a missão da OEA, chefiada pelo ex-secretário-geral da entidade José Miguel Insulza, reconheceu a capacidade técnica, logística e organizacional da Justiça Eleitoral. O órgão avaliou que a votação de 4 de outubro foi organizada e sem incidentes de maior gravidade.
A OEA, porém, incluiu ressalvas que não foram mencionadas no discurso de Kassio neste sábado. O documento aponta forte polarização política, judicialização e confrontos pessoais durante a eleição, além de narrativas de desinformação voltadas a gerar desconfiança sobre as urnas eletrônicas. A missão também registrou a ausência de debate entre os candidatos à Presidência no primeiro turno.
"Diversos grupos políticos também transmitiram à MOE/OEA sua preocupação com a circulação, nas redes sociais, de desinformação, notícias falsas e publicações com conteúdo violento e que incitam ao ódio, apesar dos controles vigentes por parte da Justiça Eleitoral para prevenir a desinformação", diz o documento.



