Um estudo acadêmico conduzido por pesquisadores das universidades de Reading, no Reino Unido, e Frankfurt, na Alemanha, sob a coordenação do brasileiro Victor Araújo e da italiana Valeria Rainero, revela que os evangélicos desigrejados — indivíduos que se identificam como evangélicos, porém não mantêm vínculo institucional com nenhuma igreja — apresentam perfis morais e políticos distintos dos evangélicos congregacionais, com 93% reconhecendo a importância da religião em suas vidas e uma predisposição maior à adesão à campanha de Lula (PT) no primeiro turno de 2022.
Perfil Demográfico e Metodologia da Pesquisa Acadêmica
O levantamento, publicado recentemente em periódico especializado, analisou um universo amostral de 1.514 brasileiros com 18 anos ou mais por meio de questionário online estruturado, no qual os participantes avaliaram questões ético-sociais — como aborto, homossexualidade, divórcio, eutanásia e prostituição — em uma escala de conservadorismo moral de 0 a 10; o critério para classificar os 'desigrejados' consistiu na seleção da opção 'Evangélico(a), mas NÃO sou membro de nenhuma igreja', garantindo a caracterização precisa do grupo alvo segundo critérios demográficos e religiosos.
Além da análise comportamental, a pesquisa cruzou as intenções eleitorais dos entrevistados nas eleições presidenciais de 2022 com seus perfis morais e religiosos, revelando que, embora Flávio Bolsonaro (PL) mantenha liderança entre os evangélicos em 48% das intenções de voto frente a 26% de Lula (PT), os desigrejados — majoritariamente mulheres entre 18 e 35 anos, filhos de evangélicos e provenientes de transições religiosas recentes — demonstram abertura relativa à candidatura petista, sinalizando um potencial inédito de expansão da base lulista nesse segmento estratégico do eleitorado brasileiro.
Mais da metade dos desigrejados (57%) declara ter votado em Lula no primeiro turno de 2022 ou estaria disposto a fazê-lo novamente, superando a influência direta do bolsonarismo tradicional no grupo evangélico.
Implicações Politicas e Repercussões Institucionais
As conclusões do estudo foram recebidas com atenção por dirigentes partidários e líderes religiosos, especialmente após o Datafolha confirmar que Flávio Bolsonaro lidera Lula entre os evangélicos com 48% a 26%, evidenciando que o movimento desigrejado representa uma variável estratégica para o equilíbrio do pleito eleitoral em disputa.
Especialistas apontam que o fenômeno reflete uma ruptura generacional e identitária dentro do cristianismo evangélico brasileiro, impulsionada por tensões entre liberdade de expressão ideológica, autonomia religiosa fora da estrutura eclesiástica formal e insatisfação com práticas institucionais percebidas como politizadas ou corruptas.



