Dados apresentados pelo CIEE também mostram que a evasão é maior nos cursos a distância
Conciliar a faculdade com o trabalho faz parte da realidade de grande parte dos jovens brasileiros. Um levantamento apresentado pelo Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE) aponta que 62% dos estudantes universitários dividem a rotina entre os estudos e o emprego. Os dados também revelam dificuldades para permanecer no ensino superior, principalmente entre aqueles que precisam trabalhar para ajudar a pagar as despesas e manter a graduação.
O estudo foi apresentado durante o CIEE Conecta, evento que marcou o lançamento do Observatório CIEE Juventude e Trabalho. A análise reúne informações da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e do Censo da Educação Superior, do Inep, considerando jovens de 18 a 29 anos. Entre os resultados, as mulheres representam 57,4% das matrículas no ensino superior. O levantamento também mostra que, entre 2009 e 2024, o número de matrículas cresceu mais de 48% e o de ingressantes aumentou 98%. Apesar desse avanço, a quantidade de estudantes que concluíram a graduação subiu apenas 21% no mesmo período.
A diferença entre o crescimento das matrículas e o número de concluintes chama atenção para a evasão universitária, especialmente entre jovens de 25 a 29 anos. Segundo os dados, a desistência nos cursos a distância é, em média, duas vezes maior do que na modalidade presencial. Durante o evento, o diretor de Regulação da Educação Superior do Ministério da Educação (MEC), Daniel Ximenes, afirmou que o desafio não é apenas garantir o acesso à faculdade, mas criar condições para que os alunos consigam continuar estudando. “Nós temos uma taxa de evasão de 41,9% nas matrículas EaD. Não podemos olhar para o aluno que estuda a distância de forma isolada, ele tem que ser um aluno frequente no processo pedagógico todos os dias”, declarou.
A dificuldade financeira também foi apontada como um dos principais motivos para o trancamento de matrículas. De acordo com Jeferson Altenhofen, vice-presidente do Grupo Cogna, questões financeiras estão relacionadas a 70% dos trancamentos. Ele destacou ainda que estudantes que fazem estágio apresentam uma chance 20% menor de interromper a graduação, o que indica que a experiência profissional pode contribuir para a permanência no ensino superior.
Jovens e mercado de trabalho
Além das dificuldades enfrentadas durante a graduação, o encontro discutiu como os jovens se relacionam com o mercado de trabalho e o que esperam das empresas. Para Rodrigo Dib, superintendente Institucional do CIEE, essa geração busca mais clareza na comunicação com os gestores e precisa de orientação para compreender as etapas do desenvolvimento profissional. Segundo ele, a entrada no mercado ainda representa um desafio para muitos estudantes, principalmente pela falta de preparação para essa transição.
“Nas escolas não existe essa transição para o mundo do trabalho, por isso é preciso mostrar aos jovens que a carreira ainda é construída passo a passo”, afirmou Dib.
O levantamento faz parte das primeiras análises do Observatório CIEE Juventude e Trabalho, que também anunciou uma parceria com o FGV EESP Policy Lab, da Fundação Getulio Vargas. A iniciativa pretende reunir dados sobre educação, empregabilidade e comportamento dos jovens para contribuir com discussões e propostas voltadas à entrada e à permanência dessa população no mercado de trabalho.



