A Justiça do Distrito Federal determinou, na tarde de quinta‑feira (3/9), a soltura dos três ex‑sócios da fintech Naskar Gestão LTDA., Marcelo Liranco Arantes, Rogério Vieira e José Maurício Volpato, que encontravam-se encarcerados há aproximadamente um mês em São Paulo, sob acusação de ter desviado cerca de R$ 900 milhões de mais de três mil investidores espalhados por todo o Brasil.
Contexto Jurídico e Desenvolvimento da Investigação
A decisão foi proferida pelo juiz Aimar Neres de Matos, que considerou que a fase investigativa havia sido formalmente encerrada em 28 de agosto e que a manutenção da prisão não apresentava fundamento suficiente para justificar a continuidade da medida cautelar. O magistrado destacou que todas as diligências de busca e apreensão já haviam sido cumpridas, com a apreensão de diversos bens, incluindo celulares, notebooks, pen drives, chips telefônicos, livros contábeis e documentos relevantes para o caso.
Nos autos, o relatório pericial revelou que a apreensão de materiais e a suspensão das atividades empresariais da Naskar já estavam em vigor, afastando a necessidade de preservação da prisão preventiva. O juiz ressaltou ainda a ausência de indícios de tentativa de interferência na apuração, constrangimento de testemunhas ou risco concreto de fuga dos investigados, elementos que reforçaram a inexistência de justificativa para a manutenção da custódia.
O trio responde por desaparecimento de R$ 900 milhões arrecadados de mais de três mil clientes em todo o país.
Consequências Jurídicas e Perspectivas Futuras
O magistrado impôs oito medidas cautelares aos investigados, que permanecem vigentes, dentre as quais se contam a proibição de contato com pessoas ligadas à investigação, o dever de comparecer periodicamente à Justiça e a obrigação de manter documentos à disposição da autoridade competente. A defesa dos acusados ainda deverá demonstrar a efetiva observância dessas condições para eventual revisão da situação.
Com a soltura, abre‑se a possibilidade de reabertura do processo caso surjam novos elementos probatórios ou se for comprovada violação das medidas cautelares. A expectativa é que o caso sirva como referência para futuras investigações sobre fraudes financeiras no âmbito das fintechs brasileiras.



