A Justiça argentina arquivou, nesta sexta-feira (23/10), uma investigação em andamento contra o presidente Javier Milei e a irmã dele, Karina Milei, por suspeita de fraude envolvendo a criptomoeda $LIBRA.
A decisão foi tomada pelo juiz federal Marcelo Martínez de Giorgi, que acolheu o pedido do promotor Eduardo Taiano para encerrar o caso. Foi concluído que não havia elementos suficientes para caracterizar o crime.
A investigação, que apurava uma suposta fraude relacionada à criação e à divulgação da criptomoeda, durou cerca de um ano e meio e terminou sem que o promotor convocasse os envolvidos para interrogatório, segundo o jornal argentino Clarín. Em julho, o juiz já havia excluído do processo os cinco investidores que apresentaram a denúncia.
Com a decisão desta sexta, 11 investigados foram beneficiados pelo arquivamento. Além do presidente argentino e da irmã, destacam-se o empresário norte-americano Hayden Mark Davis, apontado como responsável criador da $LIBRA, e os lobistas Mauricio Novelli e Manuel Terrones Godoy.
O promotor destacou que a criptomoeda foi efetivamente emitida e as operações podiam ser rastreadas por meio da tecnologia blockchain. Taiano também sustentou que os prejuízos financeiros, por si só, não eram suficientes para comprovar o crime.
Segundo ele, as transações ocorreram no mercado de memecoins, caracterizado pela elevada volatilidade e pelo componente especulativo, sem garantias de rentabilidade ou estabilidade de preços.
Outro fato citado pelo promotor foi uma resposta do Departamento de Justiça dos Estados Unidos a pedidos de cooperação enviados pela Justiça argentina.
Segundo o órgão norte-americano, os elementos reunidos não eram suficientes para comprovar, nos termos exigidos para a assistência solicitada, uma ligação entre os investigados e os crimes relatados.
A decisão também levou em conta o encerramento, no fim de setembro, de uma ação civil movida nos Estados Unidos contra Hayden Davis por investidores prejudicados pelo fracasso do projeto.



