O avanço da investigação contra o senador Flávio Bolsonaro no STF (Supremo Tribunal Federal) fortaleceu a articulação da oposição em favor de uma candidatura única à presidência do Senado contra Davi Alcolumbre (União-AP) em fevereiro de 2027.
O líder da oposição, Rogério Marinho (PL-RN), e a líder do PP (Progressistas), Tereza Cristina (MS), avaliaram nesta terça-feira (27), em conversas com aliados, que a fuga de Flávio sob a justificativa de perseguição política fortalece a bandeira da oposição de levar adiante um impeachment contra o ministro Alexandre de Moraes, agenda à qual Alcolumbre é contrário.
Marinho e Tereza tentam frear a movimentação de Alcolumbre, que articula com partidos do centrão um anúncio formal de apoio a ele ainda nesta semana.
Ainda nesta terça-feira (27), a Federação União Progressista anunciou apoio à recondução do senador.
A eleição ocorre em 1º de fevereiro e, desde a derrota de Flávio Bolsonaro para Lula no domingo (25), as lideranças de direita passaram a mirar a disputa como o próximo embate entre base e oposição.
A ideia de Marinho e Tereza é verificar qual dos dois tem mais condições de enfrentar Alcolumbre.
De um lado, o PL de Marinho terá a maior bancada na nova legislatura, com 29 senadores. Para vencer, são necessários 41 votos dos 81 senadores. De outro, Tereza calcula que pode chegar a 42 votos se o PL lhe assegurar apoio e se ela buscar votos isolados nos demais partidos, entre senadores que rejeitam a recondução de Alcolumbre. A avaliação entre lideranças da oposição é de que o nome de Tereza pode ser mais palatável na Casa do que o de Marinho para enfrentar Alcolumbre.
Como mostrou a CNN nesta segunda-feira (26), o presidente do Senado contabiliza 48 votos, número contestado pela oposição, que diz que hoje ele teria 38, três a menos que o necessário para vencer.
Além do apoio da federação, Alcolumbre também teve sinalização positiva de outros partidos, como MDB, Republicanos e Podemos.
No caso de Ciro Nogueira, há um interesse especial em se reaproximar do Planalto via Alcolumbre para tentar evitar que as investigações do caso Master avancem contra ele. Senadores relatam que ele já teria sinalizado apoio a Alcolumbre sem consultar a bancada, em troca da sinalização de apoio do União Brasil à recondução de Hugo Motta, seu afilhado político, à presidência da Câmara.



