O ex-presidente da Embratur, Marcelo Freixo (PT), que exerceu o cargo entre janeiro de 2023 e março de 2026, teve sua campanha à deputado federal pelo Rio de Janeiro financiada por doadores vinculados ao setor de turismo e cultura, incluindo valores significativos que geraram questionamentos sobre os limites éticos da captação em contextos de poder público e privada.
Contexto Institucional e Apuração dos Doações
A apuração jornalística revelou que Freixo recebeu R$ 20 mil do conselheiro Pedro Leite de Castro Casares Silva, ligado ao grupo Iter, responsável pela administração do Bondinho Pão de Açúcar, além de R$ 10 mil de Sônia Chami, proprietária do Sol Ipanema Hotel, estabelecimento localizado na zona sul do Rio de Janeiro; valores estes que somam R$ 30 mil, complementados por uma contribuição adicional de R$ 10 mil de Thássio Gonçalves Ferreira, escritor e gerente operacional do Departamento de Gestão do Fundo Amazônia do BNDES.
A trajetória de Freixo à frente da Embratur coincidiu com o fortalecimento de sua atuação política como figura da esquerda institucional, enquanto as doações recebidas — oriundas de agentes com interesses diretos no setor turístico — levantaram dúvidas sobre possíveis vínculos entre sua gestão pública e interesses privados, em especial diante da proximidade entre a agenda cultural promovida pela agência e os benefícios concedidos aos contribuintes da campanha eleitoral.
O total das doações reveladas ultrapassa os R$ 30 mil, incluindo valores provenientes de executivos ligados a setores estratégicos para a cadeia produtiva do turismo no Rio de Janeiro.
Repercussão Jurídica e Estratégias Políticas
As denúncias geraram reações imediatas por parte da bancada federal e órgãos de controle, com alguns parlamentares defendendo a transparência da captação enquanto outros pressionavam por investigação formal do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), especialmente em razão da vinculação entre o cargo anterior na Embratur — órgão vinculado ao Ministério do Turismo — e os interesses privados dos contribuintes.
Especialistas em direito eleitoral apontam que a natureza das doações, quando vinculada a agentes com atividades diretas no setor turístico regulado pela Embratur, pode configurar abuso de poder ou uso indevido de influência, demandando análise minuciosa sobre a legalidade da captação em decorrência da posição prévia ocupante por Freixo.



