Na quarta-feira (16/9), o Comitê de Política Monetária do Banco Central reduziu a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, para 13,75% ao ano, mantendo a trajetória de flexibilização iniciada há quatro reuniões consecutivas, em um cenário marcado pela inflação acumulada em 4,22% em 12 meses até agosto e pela desaceleração econômica.
Diagnóstico Econômico e Análise da CNI
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) classificou a decisão do Copom como adequada, porém tímida, considerando que os indicadores de inflação e a fraqueza recente da atividade econômica justificam a continuidade do ciclo de redução da taxa básica de juros. O índice acumulado em 12 meses até agosto chegou a 4,22%, com melhora nas expectativas de mercado e progressiva convergência em direção à meta de 3% ao ano.
A entidade ressalta que a manutenção prolongada da taxa Selic em patamares restritivos impõe custos adicionais à economia sem benefícios claros no controle inflacionário, especialmente diante da desaceleração do PIB e da queda das expectativas de investimento.
Diante do cenário, Ricardo Alban, presidente da CNI, defende que o Banco Central deve avançar com novos cortes da Selic sem comprometer a estabilidade de preços.
A inadimplência no crédito com recursos livres atingiu 7,8% entre pessoas físicas, o maior nível da série histórica.
Repercussão Institucional e Desdobramentos Futuro
O Copom reiterou que não prevê novos cortes antes de analisar com mais cautela os indicadores de inflação e atividade econômica, mas sinalizou abertura para continuidade do ciclo de flexibilização. A ata da reunião destacou o risco fiscal como potencial desequilíbrio para a política monetária.
Ricardo Alban ressaltou que manter juros altos por tempo excessivo eleva o custo do crédito para empresas e famílias, pressionando o endividamento que já atinge 49,8% da renda familiar e supera 28% no comprometimento com o serviço da dívida. A entidade conclui que há espaço para avançar no ciclo de redução sem comprometer a meta inflacionária.



