O economista-chefe e sócio do BTG Pactual, Mansueto Almeida, afirmou que a turbulência nos mercados financeiros após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva reflete um ajuste de posições dos investidores, que aguardam sinais mais claros sobre os rumos da política econômica. Segundo ele, não é possível considerar os preços atuais da Bolsa, do dólar e dos juros como um novo normal, pois a direção futura dependerá principalmente das medidas do governo para controlar o crescimento das despesas públicas.
Mansueto considera que o desafio de colocar as contas públicas em uma trajetória sustentável é menor do que se imagina, sendo que o país não precisa necessariamente promover cortes drásticos de despesas, mas estabelecer mecanismos que reduzam seu ritmo de crescimento. Ele apontou que o PIB brasileiro cresceu aproximadamente 11% nos últimos quatro anos, enquanto as despesas federais avançaram cerca de 22% no mesmo período, ou seja, o gasto público cresceu duas vezes mais do que a economia.
O economista defende o fortalecimento do arcabouço fiscal e medidas capazes de conter a expansão das despesas obrigatórias, que representam aproximadamente 90% das despesas federais. Ele considera pouco desejável que o ajuste seja feito por meio de novos aumentos de impostos, já que a carga tributária brasileira está entre as mais elevadas da América Latina.
A falta de clareza sobre a política fiscal coloca em risco a continuidade do ciclo de redução da Selic, podendo o Banco Central interromper os cortes nas próximas reuniões. Nesse cenário, o Brasil poderia começar 2027 com a Selic em 13,75% ao ano, patamar que impõe custos elevados às famílias, empresas e ao próprio governo.
Mansueto espera que as nomeações da equipe econômica ocorram nos próximos 30 dias ou, no máximo, até o fim do ano, pois quanto mais essas decisões demorarem, maior será a incerteza dos investidores e o risco de deterioração das expectativas de inflação. Ele avalia que uma Selic próxima de 8% já seria suficiente para transformar as condições de financiamento da economia e estimular os investimentos.



