O Instituto Tecnológico de Medicina Inteligente do Brasil (ITMI), recém-criado em março de 2025 e presidido pela cardiologista Ludhmila Hajjar, foi oficialmente selecionado para gerir o Hospital Inteligente do SUS por meio de contrato público de R$ 1,95 bilhão publicado no Diário O ficial da União em 3 de setembro de 2025, após processo licitatório conduzido pelo Ministério da Saúde com participação de alto escalão político.
Contexto Institucional e Histórico da Contratação
A apuração jornalística revelou que o ITMI, entidade sem fins lucrativos vinculada ao projeto do novo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, venceu o edital de chamamento público após análise por comissão técnica composta por representantes do BNDES, Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio e Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, conforme comunicado oficial do Ministério da Saúde. A criação da instituição ocorreu em março de 2025, pouco antes da publicação do edital, levantando questionamentos sobre a celeridade do processo e possíveis vínculos entre seus diretores e autoridades do governo federal.
Antecedentes indicam que o conselho diretivo do ITMI inclui Antonio Pedro Lovato, ex-chefe de gabinete da Autarquia Hospitalar Municipal e atual advogado de Alexandre Padilha, superintendente da Secretaria Municipal de Saúde durante a gestão de Fernando Haddad na Prefeitura de São Paulo; além de Carlos Gilberto Carlotti Júnior, reitor da USP até janeiro de 2025. O empréstimo de R$ 1,7 bilhão para viabilizar o projeto foi captado do Banco dos BRICS, presidido por Dilma Rousseff.
O contrato público de R$ 1,95 bilhão para gestão do Hospital Inteligente do SUS foi adjudicado ao ITMI, instituto recém-criado com diretoria que inclui ex-advogado do ministro Alexandre Padilha (PT).
Repercussão Jurídica e Econômica com Implicações na Gestão Pública
O Ministério da Saúde reiterou que a seleção seguiu critérios técnicos rigorosos e que cabe às entidades sem fins lucrativos definir sua diretoria, destacando a composição multidisciplinar do ITMI com profissionais da USP e outras instituições nacionais. Contudo, o Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP) já requisitou a devolução de R$ 482 mil referentes a contratos irregulares em obras estaduais anteriores, ampliando o escrutínio sobre a origem dos recursos utilizados no empreendimento hospitalar.
Especialistas apontam que a mudança prevista na sede administrativa — estimada em R$ 450 milhões — pode gerar atrasos na implementação efetiva das UTIs inteligentes previstas no projeto, enquanto a proximidade entre figuras políticas e dirigentes do ITMI pode comprometer a transparência na fiscalização da verba pública alocada ao setor.



