No âmbito de um cenário de recordes históricos no endividamento doméstico, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, anunciou nesta quinta-feira (17) que o governo está avaliando novas medidas para conter o crescimento da inadimplência da carteira de crédito, que avançou para 4,9% em julho — o maior patamar da série histórica iniciada em 2011. A declaração foi proferida durante cerimônia no Palácio do Planalto, em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva também divulgou o reajuste do piso e do benefício médio do Bolsa Família, elevando os valores para R$ 691 e R$ 777, respectivamente. O aumento, calculado em 15,04% com base no INPC, representa um esforço para recompor a capacidade de consumo das famílias diante da crise de crédito.
Contexto Institucional e Dados Macroeconômicos da Crise de Endividamento
A análise dos indicadores revelados pelo Banco Central mostra que a inadimplência da carteira de crédito total do Sistema Financeiro Nacional subiu para 4,9% em julho, representando uma alta de 0,3 pontos percentuais em relação ao mês anterior e de 0,9 pontos percentuais nos últimos 12 meses. Esse dado supera o recorde anterior de 4,7%, registrado em maio, e indica uma tendência de deterioração da saúde financeira das famílias, com a proporção de consumidores com contas em atraso passando de 30% em julho para 30,4% em agosto, segundo a CNC. O Desenrola 1 e Desenrola 2 foram descritos pelo ministro como 'doses de vacina' — estratégias temporárias voltadas à renegociação de débitos que permitiram a entrada de milhões de pessoas no sistema de regularização.
Nos últimos anos, o endividamento tem se consolidado como um dos principais desafios econômicos do país, com o crédito fácil e o crescimento do consumo impulsionados por políticas expansivas. Diante desse cenário, Durigan destacou que novas medidas estão sendo estudadas com foco em estruturar caminhos de crédito mais baratos e sustentáveis, além de combater abusos por parte de instituições financeiras. A combinação entre políticas assistenciais — como o reajuste do Bolsa Família — e medidas estruturais busca equilibrar o apoio imediato com a responsabilidade fiscal.



