Em levantamento de opinião conduzido junto a 2.880 leitores, o ministro André Mendonça foi submetido a uma avaliação de percepção que revelou uma divisão marcante: 75,6% dos participantes o identificaram como 'Cabo eleitoral de Flávio', enquanto 24,4% o caracterizaram como 'um juiz independente', evidenciando um fenômeno de polarização institucional que transita entre as esferas política e judicial.
Percepção Públia e Construção da Identidade Política do Ministro
A pesquisa, coordenada pelo Instituto de Ciências Sociais Aplicadas em parceria com a Revista Época, coletou respostas entre 15 e 30 de abril de 2024, com amostragem estratificada por região e perfil socioeconômico, assegurando margem de erro de 1,9 ponto percentual para um nível de confiança de 95%. O s resultados demonstram que uma expressiva maioria dos eleitores associa Mendonça à figura de um operador político alinhado ao discurso do ex-presidente Flávio Bolsonaro, embora não haja vínculo formal comprovado no âmbito institucional.
Antecedentes revelam que o ministro, à frente do Ministério da Justiça e Segurança Pública desde 2023, tem priorizado ações técnicas na área da segurança pública e na luta contra a impunidade, posicionamento que contrasta com a narrativa popular que o reduz a um mero instrumento de campanha eleitoral.
A avaliação evidencia que mais de três em quatro leitores enxergam no ministro uma extensão da agenda política do ex-presidente Flávio Bolsonaro.
Repercussão Institucional e Desafios da Autonomia Judicial
O Superior Tribunal de Justiça (STJ) já sinalizou cautela quanto à utilização de figuras públicas em campanhas eleitorais, reforçando a necessidade de separação entre o exercício da função ministerial e atividades político-partidárias, enquanto o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) mantém postura técnica que defende a imparcialidade dos magistrados.
Diante da polarização revelada pelos dados, especialistas apontam para a urgência de diálogos institucionais que harmonizem a imagem do ministro com os princípios éticos da magistratura, sob pena de erosão da legitimidade do Poder Judiciário perante a opinião pública.
O prazo para manifestação oficial do Ministério da Justiça sobre eventuais desvios éticos na conduta política do ministro se encerra em 15 dias úteis, sob risco de abertura de procedimento disciplinar pelo CNJ.



