No campus de Castanhal, no interior do Estado do Pará, o Hospital Veterinário da Universidade Federal do Pará (IMV) estabelece-se como referência nacional ao conduzir o primeiro Programa de Residência Multiprofissional do Brasil voltado exclusivamente ao bem-estar da fauna silvestre, acolhendo anualmente centenas de animais resgatados de queimadas, atropelamentos e tráfico ilegal em uma rede de aproximadamente 30 municípios paraenses, onde biólogos, veterinários e psicólogos atuam em integração para reabilitar espécies ameaçadas sob o arcabouço teórico da Saúde Única.
Contexto Institucional e O peracional do Programa de Residência Multiprofissional
O Hospital Veterinário da UFPA, localizado no município de Castanhal, destaca-se pela implementação de um modelo inovador que articula diagnóstico integral, manejo comportamental e reabilitação ecológica, com equipes multidisciplinares responsáveis por avaliar não apenas a condição física, mas também os indicadores de estresse, ansiedade e adequação ambiental das espécies resgatadas.
Fundamentado no conceito de Saúde Única – que interliga saúde humana, animal e ambiental –, o programa desenvolve atendimentos adaptados às necessidades biológicas específicas de cada espécie, como plataformas elevadas para quatis e ambientes controlados para primatas, integrando pesquisas do Mangal das Garças, da Escola Experimental de Primatas e do Centro de Triagem do ICMBio em Benevides para garantir protocolos técnicos respaldados por legislações ambientais e diretrizes da fauna silvestre.
O Hospital Veterinário da UFPA acolhe cerca de 300 animais por ano em 30 municípios paraenses, sendo referência nacional em reabilitação baseada no modelo Saúde Única.
Repercussão Técnica e Desafios Regulatórios na Aplicação da Política Nacional de Fauna Silvestre
A adoção do modelo Saúde Única pelo IMV tem gerado impacto significativo na política pública de conservação, com o programa servindo como laboratório vivo para diretrizes do Ministério do Meio Ambiente e mudanças propostas na Lei nº 14.028/2020 sobre proteção de fauna silvestre.
Ainda assim, persiste o risco institucional ao não cumprimento das normas de bem-estar animal: segundo a legislação vigente, o abandono intencional de fauna silvestre pode acarretar suspensão da carteira nacional de motorista (CNH) por até 18 meses, medida coercitiva prevista no Código Brasileiro de Trânsito que visa coibir práticas que comprometem a preservação ambiental.



