O pastor Paul Mackenzie, fundador da Igreja Internacional das Boas Novas, foi condenado a 200 anos de prisão no Tribunal Superior de Mombaça. A sentença refere-se à morte de 191 pessoas, sendo 190 crianças e um adulto, em um caso que envolveu abusos e jejuns forçados.
A pena foi dividida em 100 anos pelos assassinatos decorrentes da fome e outros 100 anos pelas mortes causadas diretamente por homicídio. Mackenzie havia convencido os seguidores a deixar suas casas para viver na Floresta de Shakahola, no leste do Quênia, com a promessa de que o jejum os aproximaria de Deus e os prepararia para o céu.
O tribunal verificou que os ensinamentos religiosos foram utilizados para impor práticas extremas. Guardas controlavam os movimentos dos fiéis e impediam que deixassem o local. Crianças que resistiam eram imobilizadas, privadas de alimento e punidas ao tentar comer ou fugir.
Segundo um relatório do Senado do Quênia, as crenças apocalípticas do líder previam o fim do mundo em agosto de 2023. Ele instruiu que as crianças morressem primeiro, seguidas por jovens e mulheres, enquanto os homens deveriam enterrar os corpos antes de falecerem.
A juíza Diana Kavedza destacou que Mackenzie usava sermões e materiais escritos para convencer os seguidores de que o mundo exterior era maligno. Mensagens no WhatsApp encontradas em seu telefone comprovaram a comunicação prévia com os fiéis antes da mudança para a floresta.



