A suspensão dos embarques de carne bovina brasileira para a União Europeia deve se prolongar pelos próximos dois anos, segundo avaliação do analista de proteína do Rabobank, Wagner Yanaguizawa. De acordo com ele, a Comissão Europeia entende que o retorno das vendas depende da conclusão de um ciclo produtivo completo, que inclui o nascimento dos bezerros e o tempo necessário até o abate.
Apesar da restrição ao mercado europeu, o banco projeta crescimento nas exportações totais de carne bovina do Brasil, com previsão de 4,5 milhões de toneladas em 2027, alta de 1,5% em relação a 2026. A oferta global mais restrita deve ajudar o país a consolidar mercados já atendidos e conquistar novos compradores.
Japão e Coreia do Sul são apontados como oportunidades em estágio avançado de habilitação, com protocolos cumpridos e expectativa de divulgação dos relatórios finais pelas autoridades locais. China, Sudeste Asiático e Oriente Médio também podem contribuir para o avanço das vendas externas.
Para a China, o Rabobank trabalha com a possibilidade de aumento de cerca de 3% na cota brasileira em relação ao volume deste ano, equivalente a aproximadamente 33 mil toneladas adicionais, embora a medida ainda não tenha sido confirmada pelas autoridades chinesas. Uma discussão para o próximo ano envolve a distribuição dos volumes da cota ao longo dos 12 meses, proposta que reúne Ministério da Agricultura, Abiec e frigoríficos para evitar concentração de embarques e reduzir oscilações acentuadas de preços.
Yanaguizawa também destacou a exportação de gado vivo para a Turquia, que pode afetar a disponibilidade de animais no mercado interno, especialmente nas regiões Norte e Nordeste. Nos Estados Unidos, apesar da oferta restrita, o banco espera ligeira redução da demanda doméstica por carne bovina em 2027, o que pode desacelerar o crescimento das exportações brasileiras para o país.


