A Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) condenou, em nota publicada na segunda-feira (19), o formato adotado pela TV Bandeirantes para o debate eleitoral entre os candidatos à Presidência da República realizado no domingo (18), argumentando que o evento degenerou-se em um espetáculo de provocações e ataques pessoais, afastando-se do propósito primordial de informar os eleitores com base em propostas e esclarecimentos de interesse público.
Crítica institucional à erosão dos padrões jornalísticos nos debates eleitorais
A entidade destacou que o debate, ao privilegiar dinâmicas de confrontação agressiva sobre a análise racional de pautas, transformou-se em espaço de desgaste da qualidade informativa, com a ausência de mecanismos efetivos para conter a disseminação de informações falsas e garantir respostas fundamentadas aos questionamentos da moderadora.
No cerne da crítica, a Fenaj ressaltou a necessidade de estabelecer regras que garantam o confronto direto de propostas, a verificação imediata de dados subjetivos e a responsabilização por desvios éticos, apontando que a mera igualdade de tempo entre candidatos não substitui a obrigação jornalística de fiscalizar a veracidade das afirmações.
A neutralidade diante da desinformação não representa imparcialidade, mas pode contribuir para sua legitimação, segundo a Fenaj
Repercussões institucionais e demandas por reformas no modelo debateleitoral
A federação cobrou da emissora responsabilidade editorial na mediação do encontro, defendendo a criação de protocolos que permitam intervenções editoriais para conter afirmações comprovadamente falsas e exigindo que os candidatos prestem contas objetivas sobre seus programas.
Diante da pressão institucional, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) foi acionado pelo Partido Novo, que formalizou denúncia contra a chapa Lula/Alckmin por suposto abuso de poder político durante o debate, reforçando o debate sobre os limites éticos da atuação partidária no processo eleitoral.



