Entre 14 e 18 de setembro, uma delegação brasileira liderada pela secretária extraordinária do Mercado de Carbono, Cristina Reis, desembarca em Wuhan para conduzir um intercâmbio técnico de dois dias com autoridades chinesas, com o objetivo de aprimorar os mecanismos de precificação do mercado de carbono e mapear oportunidades de cooperação regulatória que possam atrair investimentos chineses na descarbonização brasileira.
Contexto Institucional e Estratégia Bilateral
A iniciativa se insere no âmbito da Coalizão Aberta para Mercados Regulados de Carbono, presidida pelo Brasil e idealizada durante a COP30, com o propósito de acelerar a instalação e interoperabilidade entre mercados de carbono e equalizar métodos de medição de emissões de gases do efeito estufa; a viagem a Wuhan representa a segunda reunião de alto nível desta coalizão e ocorre em momento estratégico, com a COP31 — que definirá o rumo global para 2027 — apenas a poucos meses à vista.
Durante os encontros técnicos, que ocorrerão nos dias 15 e 16 de setembro, a delegação brasileira pretende aprofundar o entendimento sobre a operação e infraestrutura do mercado chinês, além de mapear áreas prioritárias para cooperação regulatória; além disso, uma reunião bilateral entre Cristina Reis e Lia Gao, vice-presidente da Ecologia e Meio Ambiente da China, buscará alinhar os sistemas nacionais de comércio de emissões, sinalizando um compromisso político direto com o intercâmbio de boas práticas e transparência nos mecanismos de precificação.
O intercâmbio técnico em Wuhan visa mapear oportunidades para atrair investimentos chineses na descarbonização brasileira, impulsionando a precificação do carbono no mercado internacional.
Repercussão Jurídica e Perspectivas Futuras
A medida conta com respaldo técnico da equipe econômica federal e reforça o compromisso do governo com metas climáticas ambiciosas previstas no Acordo de Paris, ao mesmo tempo em que fortalece a posição do Brasil como líder da Coalizão Aberta para Mercados Regulados de Carbono; autoridades chinesas manifestaram abertura à colaboração, enquanto o Ministério do Meio Ambiente brasileiro deve formalizar protocolos para integração dos sistemas nacionais.
Com a COP31 em novembro na Turquia como próximo marco global, os países membros da coalizão deverão consolidar um plano de trabalho definitivo até dezembro para garantir a interoperabilidade dos mercados até 2027, com possíveis ajustes regulatórios que impactem investidores estrangeiros e setores intensivos em carbono.



