Em 2 de outubro de 2023, o candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad (PT), reavaliou a controvérsia envolvendo Flávio Bolsonaro (PL) e a suposta dualidade de discurso sobre Nossa Senhora Aparecida, questionando a autenticidade de alegações de desrespeito à padroeira do país por parte de bolsonaristas e reforçando a denúncia de que vídeos do episódio teriam sido manipulados para fins eleitorais. O ex-ministro da Fazenda afirmou ter recebido, em 12 de outubro de 2022 — Dia de Nossa Senhora Aparecida — registros visuais de invasores do Santuário Nacional consumindo álcool em local sagrado, conteúdo que seria repetidamente utilizado por aliados do PL para questionar a veracidade das acusações. Ao mesmo tempo, Flávio Bolsonaro negou categoricamente a existência de intenção de retirar o título religioso da Virgem Maria, acusando o PT e a CNBB de disseminar fake news para desgastar sua imagem junto ao eleitorado evangélico.
Contexto Histórico e Apuração dos Fatos
A apuração realizada pelo Correio com base em fontes institucionais e registros oficiais aponta que, em 12 de outubro de 2022, indivíduos identificados como apoiadores do movimento bolsonarista teriam adentrado o Santuário Nacional de Aparecida, consumindo bebidas alcoólicas em área restrita ao culto, ato que contraria normas litúrgicas e regulamentações do próprio santuário. O s vídeos foram encaminhados ao petista por canais digitais vinculados a militantes do PL e posteriormente analisados pela equipe de comunicação da campanha de Haddad, que constatou inconsistências na cronologia e na georreferenciação dos arquivos, indicando possível edição ou descontextualização.
O episódio ganhou repercussão nacional após declarações do ex-ministro durante entrevista ao programa 'O s Três Elementos', exibida na sexta-feira (2/10), quando reafirmou que 'quando ele pega a santa e levanta, naquele ato de desespero, os evangélicos falam: "Então esse cara está mentindo para mim"'. A polêmica se insere num cenário mais amplo de disputa simbólica entre partidos pela identidade religiosa brasileira, com a CNBB e setores evangélicos reagindo diretamente às insinuações feitas por ambos os lados.



