A Latam Brasil prevê crescer mais devagar em 2027 diante da perspectiva de custos elevados de combustível, alta recente do dólar e dos efeitos da reforma tributária sobre a demanda por viagens, disse o presidente-executivo Jerome Cadier. A maior companhia aérea do país projeta continuar recebendo aeronaves e ampliando sua malha, mas já vê sinais de que algumas rotas podem perder atratividade econômica em um ambiente de custos mais pressionados.
Em entrevista nesta terça-feira (3), Cadier afirmou que a empresa está mais conservadora para o futuro. Ele explicou que algumas rotas começam a não se pagar financeiramente, o que pode levar ao adiamento da chegada de algumas aeronaves, aumento de preços e redução do fator de ocupação, resultando em menos oferta e demanda.
Neste ano, a expansão da operação no Brasil ocorre em ritmo mais lento do que o inicialmente esperado. Para 2026, o crescimento projetado é de cerca de 7,5%, ante projeção anterior de 8% a 9%. O grupo Latam publicou nesta terça seu resultado do terceiro trimestre, com lucro líquido de US$ 441 milhões, alta de 16,3% ante mesmo período do ano anterior, e receita operacional de US$ 4,57 bilhões, crescimento de 18,4%.
Apesar da pressão dos combustíveis, Cadier avaliou que a empresa teve um terceiro trimestre sólido, com crescimento de receita, geração de caixa e margens saudáveis. A perspectiva mais cautelosa vem após um trimestre marcado por uma nova disparada dos preços do querosene de aviação.
A Latam encerrou o segundo trimestre estimando preços do combustível próximos de US$ 130 por barril no quarto trimestre, mas elevou a previsão para US$ 180 após forte alta registrada principalmente em setembro. Cadier afirmou que o custo do querosene em 2027 deverá permanecer acima dos níveis estimados há alguns meses, diante de restrições de fluxo e danos à capacidade de refino global.
O executivo citou o câmbio como uma preocupação para o próximo ano, após a forte valorização do dólar na última semana em reação à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Cerca de 60% dos custos da companhia são dolarizados ou um pouco mais ultimamente, com o combustível.
Outra fonte de preocupação é a implementação da reforma tributária a partir de janeiro, que deve elevar os preços das passagens. A Latam tem ajustado frequências de algumas rotas menos rentáveis no segmento doméstico, mas não deixou de operar nenhuma cidade.
A empresa anunciará na última semana de novembro uma nova leva de rotas operadas com aeronaves Embraer E195-E2. As ligações devem começar a operar entre março e abril de 2027, e a Latam não discute qualquer adiamento das entregas dos 24 jatos E2 encomendados em 2025.
Cadier frisou que a demanda internacional continua forte, embora a expansão esteja limitada pela disponibilidade de aeronaves de grande porte, como o Boeing 787. Ele também afirmou que a Latam deve fazer em breve um anúncio sobre recursos do Fundo Nacional de Aviação Civil (Fnac).
Em julho, o BNDES anunciou uma linha de R$ 13,5 bilhões com recursos do Fnac para apoiar as maiores companhias aéreas que operam no Brasil. A concorrente Azul já acessou uma parcela do fundo.
