Um estudo publicado na revista científica Med, da Cell Press, revelou que a exposição pré-natal ao DEHP — ftalato de di(2-etil-hexila), substância empregada para conferir flexibilidade ao PVC — está associada a alterações epigenéticas em recém-nascidos e a um aumento da incidência de características do espectro autista e do transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) na infância, com base em análise de dados do Barwon Infant Study.
Contextualização Científica e Metodológica do Estudo
O s pesquisadores australianos analisaram amostras biológicas de 847 participantes do Barwon Infant Study, acompanhados desde a gestação, com a exposição ao DEHP estimada por metabólitos urinários maternos coletados na 36ª semana de gestação; os indivíduos foram submetidos a avaliações comportamentais aos dois e quatro anos de idade por meio de questionários padronizados, os quais indicaram correlações significativas entre os níveis de DEHP e alterações na metilação do DNA em genes ligados ao desenvolvimento cerebral, autismo e TDAH.
O estudo, que contou com replicação parcial em amostras independentes de sangue e tecido cerebral, identificou uma rede epigenética ativada pela exposição ao ftalato durante o período crítico da organogênese fetal, sugerindo um mecanismo pelo qual substâncias químicas ambientais podem reprogramar padrões de expressão gênica relacionados a transtornos neurodesenvolvimentais sem alterar a sequência genética.
A exposição ao DEHP durante a 36ª semana gestacional esteve associada a alterações epigenéticas em genes ligados ao desenvolvimento cerebral e ao aumento da incidência de características de autismo e TDAH em crianças avaliadas aos quatro anos.


