O senador Flávio Bolsonaro (PL) divulgou, nesta quarta-feira (28/10), uma carta em que se declara o “verdadeiro presidente eleito do Brasil”, apesar da derrota para Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições. A primeira versão do documento trazia, no cabeçalho, um brasão antigo do país, com a inscrição “Estados Unidos do Brazil”.
Após a divulgação inicial, uma nova versão do arquivo foi publicada, com a substituição do símbolo pelo brasão da República Federativa do Brasil, denominação oficial vigente.
A inscrição “Estados Unidos do Brazil” corresponde ao nome oficial adotado pelo país após a Proclamação da República, em 15 de novembro de 1889. A denominação foi utilizada até 1967, quando o país passou a se chamar República Federativa do Brasil. Na mesma mudança, a grafia “Brazil” foi substituída por “Brasil”.
Nova carta traz grafia correta e o título "República Federativa do Brasil"
O brasão da carta original de Flávio Bolsonaro com "Estados Unidos do Brazil"
Quando o nome do país mudou?
A mudança foi formalizada em etapas. Em 1931, durante o governo de Getúlio Vargas, a grafia “Brasil”, com S, foi estabelecida oficialmente em substituição a “Brazil”, com Z. Já a denominação “Estados Unidos do Brasil” foi substituída por “República Federativa do Brasil” na legislação sobre os símbolos nacionais, em 1968.
A Lei nº 5.389, de 22 de fevereiro de 1968, determinou expressamente a alteração da inscrição nas Armas Nacionais. O texto também estabeleceu mudanças no selo nacional para adequá-lo ao nome oficial do país.
O que diz a carta de Flávio?
Na primeira versão da carta, divulgada nesta quarta-feira (28/10), Flávio Bolsonaro se declarou o “verdadeiro presidente eleito do Brasil”, apesar da derrota para Lula no segundo turno.
O senador, porém, alterou o documento e retirou a referência a si mesmo como presidente eleito. Na versão republicada, passou a se apresentar como “líder do Brasil”.
Nova versão divulgada por Flávio
No documento, o ex-candidato derrotado alega fraude eleitoral, questiona a decisão que estendeu o horário de votação em parte do país e afirma que houve abuso de poder político e econômico durante a campanha, sem apresentar provas que sustentem as acusações.
No texto, agradece ao presidente norte-americano, Donald Trump, e ao presidente argentino, Javier Milei, e afirma que pretende liderar a oposição brasileira do exterior.
Flávio ainda compara sua trajetória à de figuras históricas e lideranças políticas que atuaram fora de seus países, critica decisões de integrantes do Judiciário e promete apresentar uma estratégia para mobilizar seus apoiadores por meios que classifica como pacíficos e legítimos.
Ao final, afirma que continuará se dirigindo aos brasileiros e que sua atuação política não terminou com a derrota nas urnas.



