A polícia espanhola retirou os últimos manifestantes e barracas da principal praça de Madri na manhã de terça-feira, encerrando um acampamento de cinco semanas na Puerta del Sol. A operação ocorreu depois que a maioria dos manifestantes que protestavam contra o aumento dos aluguéis, a escassez de moradias e os despejos deixou o local voluntariamente.
Por volta das 3h da manhã, policiais de choque entraram no acampamento para retirar os 334 ocupantes que ainda permaneciam no local. A ação, realizada antes do amanhecer, contou com cerca de 400 policiais, além de bombeiros e equipes de serviços sociais.
Os protestos começaram após o despejo de uma mulher de 87 anos, que morreu posteriormente. Marchas convocadas por sindicatos de inquilinos também foram realizadas em diversas regiões da Espanha.
O acampamento na Puerta del Sol se tornou um símbolo da crise habitacional na Espanha e contribuiu para a decisão do primeiro-ministro Pedro Sánchez de convocar eleições gerais antecipadas para 29 de novembro. O espaço se transformou em uma espécie de cidade em miniatura, com ruas identificadas por nomes, pontos de informação, atividades culturais e distribuição de alimentos.
Duas pessoas foram presas por desobediência e resistência aos policiais, informou o gabinete do representante do governo central em Madri. Os manifestantes afirmaram, em um canal no Telegram, que a retirada foi violenta e que vários acampados ficaram feridos após serem agredidos e atingidos por spray de pimenta.
Em comunicado separado, o governo afirmou que não houve violência ou distúrbios durante a operação. Imagens da Reuters mostraram funcionários da prefeitura limpando a praça com mangueiras de água, removendo pichações de estátuas e retirando grandes lonas plásticas estendidas entre postes de iluminação.
Em 30 de outubro, os principais representantes dos acampados anunciaram a dissolução dos comitês organizadores, após o governo aprovar diversas medidas habitacionais que atenderam à reivindicação inicial do movimento. Os manifestantes planejavam concentrar esforços em uma greve geral por melhores direitos à moradia e condições de vida, marcada para 11 de novembro.
Segundo o governo, muitas das pessoas que ainda dormiam no acampamento eram sem-teto ou pertenciam a outros grupos em situação de vulnerabilidade.



