A abstenção dos eleitores brasileiros nos Estados Unidos caiu para 67,02% no segundo turno das eleições neste domingo (25), segundo levantamento da CNN Brasil com base em dados do TSE (Tribunal Superior Eleitoral). A taxa ficou 4,53 pontos percentuais abaixo dos 71,55% registrados no primeiro turno deste ano, mas acima dos 61,44% do segundo turno de 2022.
Eleitores, mesários e fiscais de ambos os partidos relataram que o comparecimento aumentou por causa da maior mobilização para o segundo turno, que é mais decisivo, e também pela redução do temor sobre possíveis ações do ICE, a polícia de imigração do governo de Donald Trump.
Ao todo, 12.018 brasileiros a mais votaram nos EUA no segundo turno em relação ao primeiro. O comparecimento passou de 75.389 para 87.407 eleitores, um aumento de 15,94% entre as duas rodadas.
A votação ocorreu em meio ao receio de brasileiros em situação migratória irregular em encontrar agentes do ICE, a polícia de imigração dos Estados Unidos. Apesar da queda em relação ao primeiro turno, a abstenção ainda ficou 5,58 pontos percentuais acima da registrada no segundo turno de 2022.
Com 100% das seções apuradas nas 11 jurisdições dos EUA (Atlanta, Boston, Chicago, Hartford, Houston, Los Angeles, Miami, Nova York, Orlando, São Francisco e Washington), 177.640 dos 265.047 eleitores aptos não compareceram às urnas. Ao todo, 87.407 pessoas votaram no país.
Boston foi a jurisdição que registrou o maior aumento no comparecimento, com 2.914 eleitores a mais (avanço de 17,78%). Na sequência, aparecem Nova York, com 2.107 (20,79%); Miami, com 1.713 (13,95%); Orlando, com 1.096 (12,19%); e Los Angeles, com 864 (18,75%). Juntas, Boston e Nova York concentraram 41,8% do aumento do comparecimento no país.
A maior taxa de abstenção nos Estados Unidos foi registrada em Hartford, no estado de Connecticut, com 74,10%. Na sequência aparecem Chicago, com 73,54%, e Houston, com 70,32%. Em números absolutos, Boston teve o maior total de ausentes, com 34.054.
Localidade
Eleitores aptos
Comparecimento
Abstenção (%)
Hartford
9.182
2.378
74,10%
Chicago
12.451
3.295
73,54%
Houston
16.443
4.881
70,32%
São Francisco
15.494
4.610
70,25%
Washington
18.155
5.437
70,05%
Los Angeles
18.263
5.473
70,03%
Nova York
38.952
12.241
68,57%
Miami
40.060
13.991
65,07%
Atlanta
16.302
5.707
64,99%
Boston
53.358
19.304
63,82%
Orlando
26.387
10.090
61,76%
Total EUA
265.047
87.407
67,02%
Antes do fechamento das urnas, Adalnio Senna Ganem, cônsul-geral do Brasil em Nova York, disse à CNN Brasil que o aumento da abstenção no país em 2026 é explicado, em parte, pelo temor de brasileiros em situação irregular de se deparar com autoridades do ICE.
“Eu creio que parte da abstenção nos Estados Unidos, como um todo, foi por causa dessas políticas imigratórias atuais, que são restritivas, e algumas pessoas tiveram receio de vir”, disse.
Vanessa Gurgel, assistente de professora e moradora de Clark, Nova Jersey, relatou à reportagem que uma família de conhecidos não foi votar no primeiro turno por medo do ICE, mas disseram que estavam pensando em votar no segundo. “Mesmo eles morando aqui por mais de 40 anos, eles ainda estavam com medo por conta do ICE, por causa dessa situação, que amedrontou a família inteira”, relatou.
Fiscais do PL e do PT também afirmaram no primeiro turno que muitos eleitores, de ambos os partidos, não compareceram às urnas nos Estados Unidos por temor das autoridades migratórias. Mas, diante da ausência de ações do ICE na rodada anterior, mais brasileiros se sentiram encorajados a comparecer, segundo os delegados de ambos os partidos.
Eles relataram ainda que houve uma mobilização maior para o segundo turno, diante da percepção de que o voto é mais decisivo.
"Algumas pessoas que não vieram no primeiro turno porque era longe sabiam que precisavam vir no segundo e fizeram um esforço maior porque é mais importante. Mais caravanas se organizaram, cerca de 100 vieram até o Queens para votar", disse um fiscal do PL, que preferiu não se identificar.
Associações de brasileiros procuraram consulados em todo o país antes das eleições para manifestar o temor da comunidade e questionar autoridades sobre possíveis ações do ICE nos locais de votação, segundo fontes do governo.
No caso de Nova York, a distância até o local de votação também foi apontada como um obstáculo. Neste ano, a votação na cidade foi transferida de Manhattan para um campus universitário no Queens.
O casal Max Buheister e Maria Regina, aposentados e moradores da Pensilvânia, levaram quase três horas para chegar ao local de votação da sua jurisdição, em Nova York, mas ressaltaram a importância de votar nas eleições de 2026.
“Fizemos questão de votar hoje e no primeiro turno também. Nós levamos oito horas entre sair de casa, vir aqui votar e voltar para a Pensilvânia no primeiro turno. E hoje foram três horas para chegar aqui”, conta Buheister.



