As eleições em Israel registram a maior participação de eleitores da história do país. Segundo Américo Martins, analista sênior de Internacional da CNN, ao CNN 360°, dois fatores principais explicam esse fenômeno: a intensa mobilização dos partidos políticos e o aumento expressivo da participação da comunidade árabe.
Mobilização dos blocos políticos
Américo Martins destaca que tanto o bloco do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, quanto a oposição, liderada por Gadi Eisenkot, estão promovendo uma ampla convocação de seus eleitores.
"Essa é uma eleição muito importante, definidora para o futuro de Israel", afirmou o analista.
O bloco de Netanyahu conta com o apoio de partidos de ultradireita e ultra-ortodoxos, enquanto a oposição, cujo QG é liderado por Gadi Eisenkot, mobiliza seus apoiadores com o objetivo central de promover uma mudança no poder.
O papel da comunidade árabe
O segundo fator determinante é a participação da comunidade árabe, que representa aproximadamente 20% da população israelense. Historicamente, essa comunidade tem baixa adesão ao processo eleitoral, mas desta vez se mobilizou de forma expressiva.
Um partido árabe e uma coligação de outros três partidos árabes realizaram uma grande movimentação junto à comunidade.
Além disso, a ala mais liberal dos partidos judaicos também incentivou o voto árabe, pois, como explicou Martins, "os votos deles podem ser muito importantes para, eventualmente, retirar Benjamin Netanyahu do poder".
Diante desse cenário, Netanyahu passou o dia alertando que era "uma questão de vida ou morte" a participação do eleitor de direita e do eleitor ultra-ortodoxo, justamente por conta do alto número de participantes árabes.
O analista ressalta que o voto árabe não necessariamente implicaria a entrada desses partidos no governo, mas poderia se traduzir em apoio parlamentar à oposição.
Cláusula de barreira e formação de coligações
Américo Martins também explica que o aumento geral da participação pode alterar significativamente a distribuição de cadeiras no Knesset, o parlamento israelense, que conta com 120 assentos — sendo necessários 61 para formar maioria.
Com mais votos concentrados nos grandes partidos, como o Likud e o Yesh Atid, partidos menores podem não atingir a cláusula de barreira de 3,25%, e seus votos seriam redistribuídos proporcionalmente entre os demais.
"Nunca na história de Israel um partido sozinho conseguiu uma maioria desse tamanho", destacou o analista, reforçando que a formação de coligações será inevitável.
Segundo as pesquisas, nem o bloco de Netanyahu nem o de Eisenkot deve alcançar a maioria sozinho, tornando os resultados desta eleição determinantes para o futuro político do país e com reflexos em todo o Oriente Médio.



