As grandes petroleiras dos Estados Unidos divulgaram fortes aumentos nos lucros do terceiro trimestre, conforme divulgado nesta sexta-feira (30). A ExxonMobil obteve um lucro de US$ 15,4 bilhões, mais que o dobro do registrado no mesmo período do ano anterior. Já o lucro ajustado da Chevron avançou 186%, chegando a US$ 10,4 bilhões. Analistas projetam que ambas as companhias podem registrar resultados recordes no acumulado anual.
Os preços globais do petróleo dispararam devido ao prolongamento do conflito entre Estados Unidos e Irã. Segundo a AAA, o preço médio nacional da gasolina no terceiro trimestre foi de US$ 4,12 por galão, alta de US$ 0,96 em relação ao mesmo período do ano passado e o maior valor já registrado para o trimestre. A alta dos combustíveis gera preocupação para o governo Trump próximo às eleições de meio de mandato e afeta agricultores e proprietários de imóveis que dependem de diesel e óleo combustível.
Desde o início da guerra, as famílias americanas gastaram, em média, US$ 1.184 a mais com combustíveis, incluindo gasolina, diesel e querosene de aviação, segundo a Moody's Analytics. Apesar disso, o presidente Donald Trump afirmou que os lucros elevados da indústria petrolífera são positivos para os americanos durante um evento de campanha na Geórgia. A Casa Branca defendeu as declarações à CNN, destacando que os EUA são o maior produtor e exportador de petróleo do mundo.
A britânica Shell também lucrou com a alta dos preços do petróleo, reportando ganho de US$ 12 bilhões no terceiro trimestre, alta de 127% em relação ao ano anterior. As ações da ExxonMobil e da Chevron acumularam alta de 52% no ano até o fechamento do pregão de quinta-feira (29).
Democratas do Comitê Conjunto de Economia do Congresso identificaram que a participação de Trump nessas empresas aumentou em até US$ 35,8 milhões no primeiro semestre deste ano, com investimentos líquidos em petróleo e gás podendo chegar a US$ 81,6 milhões. Os parlamentares constataram ainda que 94% das compras de ativos de petróleo e gás realizadas por Trump em 2026 ocorreram depois do início da guerra.
A Casa Branca afirmou que não houve irregularidade nos retornos obtidos por Trump com ações de petroleiras neste ano. Segundo o porta-voz Davis Ingle, "nem o presidente Trump nem qualquer membro de sua família têm capacidade de determinar, influenciar ou opinar sobre como a carteira de investimentos é administrada ou quando os ativos são comprados ou vendidos".



