A escassez global de memória RAM, impulsionada por desequilíbrios na cadeia de suprimentos e demanda excessiva, converteu-se no principal entrave à produção de dispositivos eletrônicos de baixo custo, levando fabricantes independentes como Fairphone e Framework a repensar estratégias comerciais e operacionais diante de um cenário de restrição prolongada até 2027.
Desafios Técnicos e Estratégicos na Indústria de Dispositivos Eletrônicos
Fabricantes independentes de smartphones e laptops, como Fairphone, Framework e Jolla, enfrentam uma crise estrutural de abastecimento de memória RAM, cuja escassez prolongada — projetada para se estender até 2027 — compromete a viabilidade econômica da produção de aparelhos acessíveis, especialmente por representar até 60% do custo dos componentes em dispositivos de cerca de US$ 400.
O problema se agravou com o aumento dos preços do DRAM, que registrou alta de 93% a 98% no primeiro trimestre e uma previsão de crescimento entre 13% e 18% no trimestre seguinte, enquanto as remessas globais de smartphones caíram 13,9% no ano em curso, atingindo 1,08 bilhão de unidades — o maior recuo anual já documentado — devido à antieconomicidade da produção nesses segmentos.
A memória RAM pode representar até 60% do custo total dos componentes em smartphones de preço aproximado de US$ 400.
Repercussões Setoriais e Perspectivas Futuras
As empresas têm adotado medidas como redesign de produtos para modularização, testes rigorosos na qualidade dos chips recebidos e estratégias de repasse de custos variadas: a Framework reajusta preços imediatamente com base na volatilidade do mercado, a Jolla oferece upgrade pago de memória e a Fairphone mantém os preços sem alterações, priorizando a estabilidade para o consumidor.
Com a demanda superando a oferta desde 2030 segundo a SK Hynix, o fornecimento só deve se normalizar a partir de 2028, conforme afirma o CEO Sami Pienimäki da Jolla, que já atingiu o pico de estoque em março sem previsão imediata de alívio.



