O Pará lidera os registros de queimadas no país, com 11.274 focos de calor identificados entre 1º e 27 de outubro, segundo dados do Programa Queimadas do Inpe citados pelo MPF. Diante do avanço dos incêndios e dos efeitos da fumaça, o órgão recomendou, nesta quinta-feira (29), que os governos federal e estadual adotem medidas urgentes para combater o fogo e auxiliar as comunidades atingidas.
A principal proposta do MPF é a criação de um Comitê de Crise Integrado em até cinco dias, reunindo Ibama, ICMBio, Funai e representantes dos governos para atuar de forma conjunta em áreas onde o fogo ameaça comunidades, terras indígenas e unidades de conservação. O órgão também sugere o envio de mais brigadistas, fiscais ambientais, agentes de segurança, aeronaves e equipamentos de proteção às regiões mais afetadas.
A preocupação se intensifica com denúncias de incêndios criminosos e ameaças contra indígenas e profissionais que atuam no combate às chamas. Em Novo Repartimento, uma caminhonete usada no atendimento à Terra Indígena Parakanã foi incendiada no início de outubro, enquanto na Floresta Nacional do Tapajós há relatos de ameaças a brigadistas e suspeitas de fogo provocado intencionalmente. Ocorrências também foram registradas na Terra Indígena Munduruku de Takuara e em comunidades do arquipélago do Marajó.
Em Santarém, a prefeitura declarou emergência ambiental na quarta-feira (28) após a qualidade do ar ser classificada como “muito ruim” pelo monitoramento da Ufopa. A população recebeu orientações para evitar sair nos horários de maior concentração de poluentes, pois a exposição pode agravar problemas respiratórios e cardiovasculares, especialmente entre crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças respiratórias.
Na Reserva Extrativista Riozinho do Anfrísio, os incêndios afetaram 24 comunidades e cerca de 3.150 famílias ficaram expostas à fumaça. Os municípios paraenses com mais focos no período foram Uruará (886), São Félix do Xingu (842), Altamira (694), Portel (656) e Santarém (519). Entre segunda-feira (26) e terça-feira (27), foram identificados 931 focos no estado, quase três vezes o total registrado no Maranhão naquele levantamento.



