Na noite de terça-feira, 25 de março, o Tribunal do Júri de Belém concluiu o julgamento contra Lucas Magalhães de Souza, proprietário da lancha onde Yasmin Macedo foi vista pela última vez em dezembro de 2021, absolvendo-o das acusações de homicídio e fraude processual, condenando-o exclusivamente por porte ilegal de arma de fogo e disparo durante confraternização com pena de 4 anos e 10 meses de reclusão em regime semiaberto.
Contexto Institucional e Histórico da Ação Judicial
A apuração realizada pelo Ministério Público Estadual de Almeirim e pela Defensoria Pública do Pará confirmou a inexistência de evidências materiais que comprovassem a participação de Lucas Magalhães no homicídio da jovem Yasmin Macedo, fato ocorrido no contexto de uma confraternização noturna a bordo da embarcação que ele detinha, onde o corpo da vítima foi encontrado nos dias subsequentes à sua desaparecimento.
A defesa, representada pela advogada Dra. Camila Ribeiro, adotou estratégia baseada em questionamento da credibilidade da denúncia e na suposta inexistência de testemunhas oculares que identificassem o réu como autor do disparo fatal, embora peritos periciais tenham atestado a consistência técnica do laudo balístico que vinculou o projétil ao armamento apreendido na cena.
A absolvição do réu dos crimes de homicídio e fraude processual, restrito ao porte ilegal de arma de fogo e disparo durante evento social, configura um dos casos mais emblemáticos de impunidade no sistema judiciário brasileiro contemporâneo.
Repercussão Jurídica e Transformação do Movimento em Memorial
A advogada penalista Dra. Marta Almeida, membro da Comissão Nacional de Direitos Humanos, classificou a atuação defensiva como 'ultrapassagem ética inaceitável', ressaltando que a desqualificação moral da vítima durante o plenário configura violação ao princípio constitucional da dignidade humana e pode gerar ação disciplinar na O AB-PA.
Eliene Fontes anunciou oficialmente que a plataforma digital 'Justiça por Yasmin', que mobilizou a opinião pública por quase quatro anos na luta por justiça para sua filha, encerrará suas atividades como movimento demandista e migrará para a configuração institucionalizada de memorial digital, preservando as narrativas, provas e testemunhos arrecadados para servir como ferramenta educativa sobre violência contra mulheres e impunidade judicial.



