A pesquisa Real Time Big Data divulgada nesta sexta-feira (23) mostra Flávio Bolsonaro (PL) numericamente à frente de Lula (PT) nos votos válidos do segundo turno, com 52% contra 48%, embora em empate técnico. O analista e sócio do Real Time Big Data, Bruno Soller, avaliou os números ao CNN Novo Dia e destacou a estabilidade do cenário eleitoral desde o primeiro turno.
Segundo Soller, o quadro atual reflete uma consolidação das intenções de voto. "Desde o que saiu das urnas no primeiro turno, [houve] pouquíssima alteração, mesmo nos trackings diários", afirmou. O especialista ressaltou ainda que todas as pesquisas, independentemente da metodologia, apontam para uma vantagem de Flávio Bolsonaro em relação a Lula.
Migração dos votos da terceira via
Soller explicou que o pequeno crescimento de Flávio Bolsonaro nas pesquisas provém dos cerca de 9 milhões de eleitores que votaram em outros candidatos no primeiro turno, como Augusto Cury (Avante), Renan Santos (Missão), Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD). De acordo com o analista, aproximadamente 50% desse eleitorado tende a migrar para Flávio Bolsonaro, 35% para Lula, e 15% se perde em votos nulos, brancos ou abstenções.
O analista destacou que o eleitor de Renan Santos é o que mais migra para o voto nulo ou branco. "Tanto que é o eleitor que mais migra para o nulo e branco, é o eleitor do Renan Santos, é o que mais não quer nenhum dos dois, justamente pela postura do Renan e por ele ser um líder desse grupo que votou nele", disse Soller.
Já os eleitores de Caiado, Augusto Cury e Zema, segundo o especialista, escolheram esses candidatos principalmente por rejeição tanto a Lula quanto a Flávio Bolsonaro, e agora tendem a optar pela mudança.
Debate e indecisos
Questionado sobre o impacto do debate na reta final da campanha, Soller afirmou que o eleitorado indeciso é muito reduzido neste momento, representando apenas 1% dos entrevistados, enquanto 5% declaram intenção de votar nulo ou branco.
"O eleitor do Flávio Bolsonaro vai dizer que o Flávio Bolsonaro ganhou. O eleitor do Lula vai dizer que o Lula venceu", pontuou o analista, sugerindo que os debates tendem a reforçar convicções já estabelecidas. Soller também previu um possível aumento da abstenção no segundo turno, dado o alto índice de rejeição aos dois candidatos.
Estratégias de campanha e comunicação
Na avaliação de Soller, Flávio Bolsonaro acerta mais quando se posiciona como símbolo de mudança e erra quando tenta apresentar propostas mais detalhadas ao eleitorado. Já Lula, segundo o analista, melhorou sua comunicação no segundo turno em relação ao primeiro, adotando uma postura de "meia-culpa" e projetando mais expectativas para o futuro. "Acho que acertou um pouco mais na comunicação, mas talvez o tempo não seja suficiente para fazer uma grande virada", concluiu Soller.
O especialista apontou ainda que, diante da solidificação do eleitorado e da desvantagem de Lula entre os eleitores da terceira via, a missão do candidato à reeleição seria converter cerca de 11% dos votos da abstenção — em um universo de 33 milhões de eleitores —, o que classificou como "uma missão hercúlea".



