No Hospital Universitário de Brasília, o ambulatório LGBTQIAPN+ oferece atendimento ginecológico gratuito e humanizado a mulheres lésbicas, consolidando-se como referência em saúde reprodutiva inclusiva em âmbito nacional. A unidade, que registra demanda crescente desde sua criação, garante acesso a exames preventivos e orientações clínicas sem barreiras de preconceito, em um contexto marcado por desafios estruturais de discriminação no acesso à saúde.
Contexto Institucional e Dados da Pesquisa sobre Preconceito
A investigação do LesboCenso Nacional, realizado com amostra de 22 mil mulheres brasileiras em 2022, revelou que 25% das pacientes relataram sofrer preconceito durante atendimento ginecológico, evidenciando uma lacuna crítica na qualidade dos serviços de saúde para a população lésbica. Dados do Hospital Universitário de Brasília (HUB) confirmam a relevância do ambulatório LGBTQIAPN+, que opera no Prédio I de Ambulatórios, corredor Amarelo, Sala A, com horário de funcionamento de segunda a sexta pela manhã (9h às 12h) e às terças e sextas à tarde (13h30 às 18h), oferecendo um modelo de atendimento pautado na escuta ativa e na adaptação de protocolos aos corpos e necessidades específicas das mulheres lésbicas.
O ambulatório funciona como 'porta aberta', segundo o coordenador médico Guilherme Veiga, que destacou a prioridade de atender mulheres que evitam consultas ginecológicas por medo de estigmas ou discriminação. A iniciativa se insere em um cenário nacional onde pesquisas indicam que desigualdades de gênero e raça ampliadas pelo sistema de saúde impactam o acesso a exames preventivos, como o rastreamento para câncer do colo de útero no SUS, conforme apontado em estudo do Rastreamento para Câncer do Colo de Útero baseado em dados do Siscan.
Em 2022,25% das pacientes relataram sofrer preconceito durante atendimento ginecológico, segundo o LesboCenso Nacional, que entrevistou 22 mil mulheres brasileiras.
Repercussão Legal e Perspectivas Futuras
O Ministério da Saúde reconheceu o ambulatório LGBTQIAPN+ do HUB como modelo de atenção integral, reforçando seu papel na redução de barreiras ao acesso à saúde para população LGBTQIAPN+, enquanto a Lei nº 13.135/2015 assegura o direito à igualdade de tratamento em serviços de saúde sem discriminação. A ginecologista Bruna Heinen ressaltou que a exclusão ou falta de acolhimento inicial compromete diretamente a efetividade do cuidado, colocando em risco a saúde física e mental das pacientes.
Diante do impacto positivo já observado no acolhimento e nas métricas de adesão ao serviço, espera-se que o modelo sirva de base para expansão para outras unidades hospitalares federais, com possíveis parcerias com o Ministério da Saúde para formalização de protocolos estadualizados contra discriminação em atendimentos médicos.



