O Acidente Vascular Cerebral (AVC) figura entre as principais causas de morte no Brasil, sendo que grande parte dos casos pode ser evitada com mudanças no estilo de vida e controle de fatores de risco modificáveis, conforme dados da Sociedade Brasileira de AVC.
Em alusão ao Dia Mundial do AVC, celebrado em 29 de outubro, o neurologista Aquiles José Vasconcellos Mamfrim, do Hospital Pró-Cardíaco da Rede Américas, detalhou à CNN Brasil as principais recomendações das diretrizes mais recentes para prevenir a doença.
A alimentação tem papel central na saúde cardiovascular, com destaque para a redução consistente do consumo de sódio (sal), além da limitação de carne vermelha, ultraprocessados, bebidas açucaradas e alimentos ricos em gordura saturada; a dieta mediterrânea é apontada como exemplo a seguir por ser rica em frutas, vegetais, legumes, fibras, azeite de oliva, oleaginosas e laticínios.
A prática regular de exercícios físicos é um fator modificável comprovado no combate ao AVC isquêmico e hemorrágico, e as diretrizes de 2024 da American Stroke Association indicam a combinação de atividade aeróbica com treinamento de força como pilar da prevenção.
Quem era sedentário e deseja iniciar uma rotina de exercícios deve passar por avaliação médica prévia que considere nível atual de atividade física, sinais, sintomas ou doenças prévias (cardiovasculares, metabólicas ou renais) e a intensidade pretendida; homens acima de 45 anos e mulheres acima de 55 anos que pretendem praticar exercícios vigorosos e apresentam diabetes ou dois ou mais fatores de risco cardiovascular precisam dessa consulta antes de iniciar.
O tabagismo convencional é causador direto e comprovado de AVC, com risco proporcional ao volume e tempo de uso; já os cigarros eletrônicos (vapes) têm impactos de longo prazo sob investigação, mas estudos populacionais apontam riscos cardiovasculares significativos, especialmente para usuários "duais", que consomem ambos os produtos.
O conselho médico é evitar qualquer produto de tabaco ou nicotina, incluindo narguilés, e fumantes devem interromper o hábito com acompanhamento profissional, combinando aconselhamento e suporte farmacológico quando necessário.
O consumo abusivo de álcool — definido como mais de 4 doses por dia ou 14 por semana para homens e mais de 3 doses por dia ou 7 por semana para mulheres — está associado a todos os tipos de AVC (isquêmico, hemorragia intracerebral e hemorragia subaracnóidea).
A Apneia Obstrutiva do Sono também eleva o risco ao gerar disfunção endotelial, hipertensão não controlada, arritmias como fibrilação atrial e hipercoagulabilidade; o tratamento com CPAP mostra redução importante do risco na prevenção primária.
O check-up ideal não é um pacote fixo para todos, mas a partir dos 40 a 50 anos o acompanhamento médico deve focar no rastreio e monitoramento rigoroso de pressão arterial, perfil lipídico (colesterol e triglicérides), glicemia e hemoglobina glicada, peso corporal, IMC e circunferência abdominal, rastreio de fibrilação atrial e estilo de vida (sono, atividade física, alimentação, álcool e tabagismo).
Pessoas com parentes de primeiro grau (pai, mãe ou irmãos) que sofreram AVC têm risco duas a três vezes maior de desenvolver a doença ao longo da vida; nesses casos, a atenção precisa ser redobrada.
Além dos fatores modificáveis mencionados, o manejo clínico de pacientes diabéticos de alto risco cardiovascular pode incluir intervenções farmacológicas modernas como os medicamentos GLP-1, sempre sob orientação médica.


