Na quarta-feira (10), durante o evento Made on YouTube, o CEO da plataforma, Neal Mohan, reafirmou a postura de recusa em relação ao acordo multiestadual firmado pela Meta, que prevê 18 bilhões de dólares para resolver alegações de contribuir para a crise de saúde mental entre adolescentes. Mohan destacou que o YouTube já implementa medidas próprias de segurança, como controles parentais para o Shorts e consultoria com especialistas externos, dispensando a adesão ao pacto.
Contexto Institucional e Estratégia de Segurança Digital
A decisão do YouTube, tomada em reunião com jornalistas no âmbito do evento anual da Google, reforça a divisão de abordagens entre as plataformas: enquanto a Meta aceita responsabilidade financeira e compromissos regulatórios com 18 bilhões de dólares — dos quais pagará 70% diretamente —, o YouTube sustenta que suas ferramentas internas, como os controles de tempo para adolescentes no Shorts e parcerias com órgãos especializados, são suficientes para mitigar riscos à saúde mental.
O acordo histórico firmado pela Meta envolve múltiplos estados dos EUA e busca estabelecer padrões de transparência, limites de uso e supervisão externa para redes sociais, mas depende da adesão voluntária do YouTube e TikTok; caso as duas recusem, o pagamento da Meta cairá para 70% do total, com a obrigação residual de US$ 6 bilhões cada uma.
O acordo histórico de 18 bilhões de dólares visa corrigir alegações de que plataformas digitais intensificam crises de saúde mental em jovens.
Repercussão Jurídica e Desafios Regulatórios
A postura do YouTube contrasta com a da Meta, que já se comprometeu a resolver litígios por suposto dano à saúde mental de adolescentes, enquanto Mohan ressalta que a plataforma não é uma rede social tradicional, defendendo seu modelo como voltado ao consumo passivo via TV e com mecanismos já consolidados.
Com centenas de processos judiciais ainda em aberto contra todas as plataformas envolvidas — incluindo casos separados na Califórnia e Los Angeles —, os estados mantêm pressão para que o YouTube e TikTok adotem mudanças semelhantes às previstas no acordo da Meta, sob pena de ações judiciais individuais ou coletivas.



