Ainda há incerteza sobre a possibilidade de uma reunião entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump durante a 81ª Assembleia Geral da O rganização das Nações Unidas (O NU), que se inicia na próxima semana em Nova York, embora o embaixador Carlos Márcio Bicalho Cozendey, secretário de Assuntos Multilaterais Políticos do Itamaraty, tenha sinalizado que há chance de um encontro breve nos bastidores do evento, enquanto a Casa Branca e o governo brasileiro mantêm postura de cautela.
Contexto Institucional e Antecedentes da Possibilidade de Encontro Bilateral
O embaixador Carlos Márcio Bicalho Cozendey, responsável pela política multilateral do Itamaraty, afirmou à imprensa que há viabilidade para um contato entre Lula e Trump nos corredores da Assembleia Geral da O NU, evento que reúne chefes de Estado de todos os países membros em setembro de 2025, embora a Casa Branca tenha negado qualquer confirmação formal sobre agenda de reuniões entre os presidentes.
As relações entre Brasília e Washington têm passado por tensões recentes, como a revogação do visto diplomático da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti, e a reimposição de tarifas comerciais que atingem até 37,5% sobre exportações brasileiras, além da controvérsia sobre a classificação das facções criminosas PCC e CV como organizações terroristas no relatório enviado por Trump ao Congresso em 16 de setembro.
A expectativa é de que Lula aborde na O NU a defesa do multilateralismo e a reforma do Conselho de Segurança da O NU com cobrança de paz aos cinco membros permanentes: EUA, China, Rússia, França e Reino Unido.
Repercussão Política e Desafios para o Governo Brasileiro
A pré-candidatura de Lula à presidência em 2026 coloca o presidente em posição de equilíbrio delicado ao participar ativamente em fóruns internacionais durante período eleitoral, especialmente após decisão do prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, de convidá-lo para reunião bilateral na segunda-feira (21/9), ainda que o governo ainda avalie a proposta sem compromisso formal.
O ministro das Relações Exteriores Mauro Vieira representará o Brasil nas atividades oficiais da Semana de Alto Nível da O NU, incluindo debates sobre não-interferência em assuntos internos e direito internacional humanitário, enquanto o Itamaraty aguarda definição definitiva sobre agenda bilateral com os EUA antes da abertura do evento.



