Religiosos não citam os presidenciáveis pelo nome, mas criticam defesa do armamento e comparam o cenário eleitoral a experiências autoritárias do século XX
Um grupo de 64 bispos católicos de 21 estados brasileiros divulgou, nesta quinta-feira (22), uma carta sobre o segundo turno das eleições presidenciais, marcado para domingo (25), com críticas a propostas associadas a um dos candidatos e um alerta sobre possíveis impactos na democracia e na soberania nacional.
Embora não mencione diretamente os nomes de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), o documento faz referência ao governo do pai do senador ao criticar a promessa de ampliar o acesso da população a armas, posicionamento relacionado ao candidato do PL.
“Um dos candidatos promete liberar o acesso amplo às armas, como fez o seu pai em seu Governo”, afirmam os religiosos.
Intitulada Carta de Bispos Católicos ao Povo de Deus diante do Segundo Turno das Eleições Presidenciais de 2026, a manifestação busca orientar os eleitores católicos a partir dos princípios da Doutrina Social da Igreja (DSI). Entre as preocupações apontadas estão a preservação das instituições democráticas, a soberania nacional e a promoção do bem comum.
“O cenário é muito grave, pois uma das candidaturas ameaça frontalmente diversos pontos centrais da DSI, a existência da democracia, a soberania nacional e a prática do bem comum”, diz um trecho da carta.
Os signatários também afirmam que a disputa eleitoral pode ter consequências que vão além da escolha de um novo presidente. Para sustentar o alerta, recorrem a exemplos de regimes autoritários que marcaram o século passado.
“Não se trata apenas de uma escolha eleitoral, tantas vezes já praticada no Brasil, mas da possibilidade de uma mudança profunda nos rumos da nação, cujos exemplos na história do século XX deixaram cruéis e amargas lembranças”, escreveram.
Posicionamento dos religiosos
Os bispos afirmam que a intenção da carta é contribuir para a reflexão dos católicos antes da votação, destacando divergências entre os ensinamentos sociais da Igreja e posições de uma das candidaturas.
“Queremos auxiliar os católicos em sua decisão, apontando alguns pontos de antagonismo entre o ensinamento social da Igreja e uma das candidaturas em disputa”, diz o texto.
Em vídeo divulgado sobre a manifestação, Dom Luiz Fernando Lisboa, arcebispo da Diocese de Cachoeiro de Itapemirim, no Espírito Santo, também defendeu que os fiéis levem em consideração os princípios religiosos na escolha do próximo presidente.
“Neste momento, não cabe hesitação. Precisamos tomar posição em nome do Santo Evangelho e da doutrina social da Igreja”, declarou.
Segundo dados divulgados pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) em outubro de 2026, o país tem 498 bispos, entre 325 em atividade e 173 eméritos. O grupo que assina a carta corresponde a aproximadamente 12,9% desse total.



