O deputado italiano Angelo Bonelli, líder da coalizão progressista Aliança dos Verdes e da Esquerda (AVS), de oposição à primeira-ministra Giorgia Meloni, protocolou nesta quarta-feira (28/10) uma interpelação parlamentar ao governo italiano. O documento cobra explicações e a abertura de uma investigação sobre a concessão da cidadania italiana ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que deixou o Brasil utilizando passaporte italiano.
A iniciativa também abrange os irmãos do senador, Eduardo e Carlos Bolsonaro, que possuem cidadania italiana. Bonelli quer apurar se os três foram beneficiados por um procedimento acelerado para obter o reconhecimento da nacionalidade, enquanto milhares de descendentes de italianos no Brasil enfrentam longas filas.
“Apresentei um questionamento parlamentar aos ministros das Relações Exteriores e do Interior, buscando apurar se Flávio, Eduardo e Carlos Bolsonaro foram beneficiados por um “rito acelerado” para a obtenção da cidadania italiana — num momento em que centenas de milhares de outros descendentes de italianos no Brasil aguardam há mais de uma década”, escreveu nas redes sociais.
Em 2020, Flávio e Eduardo Bolsonaro solicitaram a inclusão na lista de espera da Embaixada da Itália em Brasília. Em 2023, eles já haviam se tornado cidadãos italianos. Carlos conseguiu a cidadania em 2024.
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Segundo o parlamentar, em muitos consulados no Brasil, a espera pela concessão pode chegar a dez anos ou mais, levando muitos indivíduos a recorrer à via judicial contra o Estado italiano.
O parlamentar também afirmou que o processamento dos requerimentos em Brasília estava suspenso desde agosto de 2018. Em novembro de 2022, a embaixada começava a analisar os pedidos de pessoas que haviam entrado na fila quatro anos antes. Em 8 de novembro daquele ano, nove dias após a derrota eleitoral de Jair Bolsonaro (PL), Flávio e Eduardo compareceram pessoalmente à Embaixada da Itália para agilizar os processos.
“Há aqui um nível intolerável de hipocrisia. Com um decreto emitido em março de 2025, o Governo praticamente fechou as portas da cidadania italiana para milhares de descendentes que aguardam na fila há anos. Contudo, para os aliados políticos do partido Lega [Liga], tudo transcorreu sem entraves”, denunciou.
“Como bem disse o presidente Lula, a justiça se enfrenta, em vez de fugir. Foi o que o próprio Lula fez há alguns anos, quando aguardou a prisão e passou mais de 500 dias na cadeia, para depois provar sua inocência”, continuou o deputado.
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Flávio Bolsonaro é alvo de duas investigações sob a supervisão do Supremo Tribunal Federal: uma relacionada à lavagem de dinheiro envolvendo empresas de apostas, e outra referente ao financiamento do filme Dark Horse, pelo banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Master, envolvendo acusações de evasão de divisas, lavagem de dinheiro e corrupção.
Não é a primeira vez que Bonelli denuncia às autoridades italianas atitudes anti-democráticas de políticos brasileiros. Em julho de 2025, ele afirmou publicamente ter repassado às autoridades o endereço em Roma (no bairro Aurélio) onde Carla Zambelli foi localizada e presa em 29 de julho de 2025 e também cobrou formalmente o governo italiano sobre a situação da ex-deputada.
“Vimos, no caso de Carla Zambelli, o que isso significa: uma pessoa condenada que chega à Itália e alega ser intocável em virtude de seu passaporte italiano. A Itália não pode se tornar um refúgio para aqueles que precisam responder perante o sistema de justiça de seu próprio país”, finalizou Bonelli.
“Vimos, no caso de Carla Zambelli, o que isso significa: uma pessoa condenada que chega à Itália e alega ser intocável em virtude de seu passaporte italiano. A Itália não pode se tornar um refúgio para aqueles que precisam responder perante o sistema de justiça de seu próprio país”, finalizou Bonelli.
O governo de Giorgia Meloni ainda não se pronunciou.



