O presidente do Paraguai, Santiago Peña, publicou uma mensagem de despedida na rede social X na noite de sexta-feira (6), afirmando que renunciou para evitar mais danos ao país e contribuir para devolver a tranquilidade aos paraguaios. Ele declarou que não deseja que sua presença seja motivo de maior divisão ou instabilidade, ressaltando que sua responsabilidade é colocar o país acima de seu destino pessoal.
A renúncia foi anunciada enquanto o Senado conduzia a votação sobre o pedido de impeachment contra o presidente, em meio a acusações de irregularidades ligadas ao Ueno Bank, instituição que encerrou suas atividades na terça-feira (3). A sessão no Senado teve início por volta das 10h da manhã, e Peña não compareceu, sendo representado pelos advogados Adolfo Ferreiro e Ricardo Preda.
Na quinta-feira (5), a Câmara dos Deputados aprovou o impeachment de Peña por unanimidade, acusando-o de grave e sistemático mau desempenho de suas funções, com proposta de retirada da investidura. O processo também negou o impeachment do vice-presidente Pedro Alliana, que deve assumir o governo.
O banco Ueno, pertencente ao Grupo Vázquez, fechou as portas após o Banco Central do Paraguai iniciar processo de liquidação ao constatar déficit em índices de solvência relacionado a empréstimos concedidos a empresas vinculadas. A instituição contava com cerca de 3 milhões de clientes e concentrava aproximadamente US$ 850 milhões em depósitos públicos, incluindo recursos do Instituto de Previdência Social.
Peña foi acionista do grupo proprietário do banco até março do ano passado e enfrentou acusações da oposição de conflito de interesses, manipulação regulatória e desvio de recursos previdenciários. Os advogados do presidente alegam que o processo de impeachment é nulo porque ele apresentou renúncia às vésperas das sessões.



