A família de William de Marco Machado, de 27 anos, formalizou denúncia contra policiais militares por suspeita de tortura durante uma abordagem realizada em Nova Odessa, no interior de São Paulo, no dia 29 de agosto. Segundo a defesa, o jovem atravessava uma crise psicológica quando foi contido pelos agentes e teria sido agredido durante a ação.
O caso teve início após familiares acionarem a PM devido ao comportamento alterado de William, que consumiu bebida alcoólica enquanto fazia uso de medicamentos. A versão da Polícia Militar aponta que a equipe foi acionada para atender uma ocorrência de violência doméstica, com relatos de cárcere privado e ameaças a familiares, incluindo uma criança de nove meses, sendo necessário o uso moderado da força para conter o jovem.
Após a abordagem, William foi levado ao pronto-socorro municipal, onde o prontuário médico registrou um hematoma na região frontal da cabeça. A defesa sustenta que ele precisava de atendimento em saúde mental e que a ação policial foi desproporcional, citando um documento de uma Unidade Básica de Saúde que indicava sofrimento emocional intenso e encaminhamento prioritário para avaliação psiquiátrica.
Em decisão de 20 de outubro, a Justiça determinou que a Polícia Militar apresente as gravações das câmeras corporais dos agentes envolvidos ou informe formalmente caso os equipamentos não existam ou não tenham sido utilizados. A defesa pediu ainda a instauração de investigação para apurar possível prática de tortura e um incidente de insanidade mental.
William permanece preso preventivamente no Centro de Detenção Provisória (CDP) de Americana e responde a uma ação penal por duas acusações de ameaça e uma de cárcere privado qualificado, em contexto de violência doméstica. A denúncia foi recebida pela Justiça em 22 de setembro, e o relatório final da Polícia Civil confirma que ele não tinha registros criminais anteriores.



