A entrada dos investidores Ederson e Everton Muffato no capital do Assaí ocorre em um momento de desconfiança do mercado com o varejo alimentar brasileiro e abre espaço para especulações sobre possíveis movimentos societários no setor. Os investidores ligados à família Muffato passaram a deter 15,02% das ações ordinárias e posições em derivativos do Assaí, conforme comunicado divulgado ao mercado. A movimentação reacende discussões sobre uma possível fusão ou combinação de negócios envolvendo os grupos, embora a participação acionária, por si só, não confirme a existência de negociações nesse sentido.
Para o analista da Suno Research João Daronco, a operação pode combinar uma aposta na recuperação das ações da companhia com a expectativa de mudanças na estrutura do mercado. O Assaí enfrenta um cenário de pressão sobre o consumo, endividamento elevado e desafios para ampliar a rentabilidade depois de um ciclo de expansão. O ambiente também afeta outras redes do setor, que disputam o orçamento de famílias pressionadas pelo custo de vida e pelo comprometimento da renda.
Na avaliação de Daronco, a desvalorização dos papéis pode ter aberto uma janela de oportunidade para investidores com conhecimento do negócio. A perspectiva de recuperação do consumo no fim do ano também poderia favorecer as redes de varejo alimentar, caso parte da renda hoje destinada a apostas on-line, depois da proibição da operação das bets, volte a circular em outros segmentos da economia. Segundo levantamento da Abras (Associação Brasileira de Supermercados), o varejo alimentar cresceu 6,5% na semana de 5 a 11 de outubro e 6,3% na semana seguinte, na comparação com os mesmos períodos de 2025.



