O Brasil registrou queda de 6% nas emissões brutas de gases de efeito estufa em 2025, totalizando 2,06 bilhões de toneladas de CO₂ equivalente, o menor volume registrado em oito anos, conforme os dados do Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa (Seeg) do O bservatório do Clima, divulgados em 21/10. A retração foi impulsionada principalmente pela forte redução do desmatamento na Amazônia e no Cerrado, que registraram seus menores níveis em cinco anos, conforme os dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). O indicador consolida um movimento estrutural de contenção das emissões, alinhado ao cumprimento parcial da meta brasileira prevista na Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC) do Acordo de Paris para 2025.
Contexto Institucional e Histórico da Medida
A análise dos dados revela que a redução de 6% nas emissões brutas em 2025 representa uma queda de 13% em relação ao ano anterior, quando o volume era de 2,19 bilhões de toneladas de CO₂ equivalente. A trajetória descendente é notória desde 2023, com queda acumulada de mais de 15% nos últimos dois anos. Esse patamar histórico é resultado da combinação entre políticas ambientais reforçadas, maior eficiência na monitoria por satélite e avanços na fiscalização da supressão vegetal, especialmente na Amazônia Legal, onde o desmatamento caiu 12,07% em 2025, totalizando 5.731 km² — o menor nível desde 2020. No Cerrado, a redução foi de 11,4%, com 7.235,27 km² desmatados, também o menor valor dos últimos cinco anos.
A redução nas emissões líquidas atingiu 9%, chegando a 1,41 GtCO₂e — menor valor desde 2012 — impulsionada pelo crescimento da vegetação secundária e pela remoção acelerada de carbono por áreas protegidas.
Repercussão Jurídica e Posicionamentos
Autoridades ambientais destacam que a trajetória atual reflete o efeito combinado da ação fiscalizatória e do fortalecimento das unidades de conservação. O Ministério do Meio Ambiente afirmou que o cumprimento da meta NDC está mais próximo do que nunca, embora ainda haja desafios para superar a dependência da agropecuária como principal fonte emissora das emissões brutas.
Para 2026, espera-se nova queda expressiva nas emissões conforme projeções do Seeg, já que a taxa anual de desmatamento na Amazônia e no Cerrado segue em declínio histórico. O s próximos passos incluem a ampliação do programa ABC+ e o fortalecimento do Fundo Amazônia para garantir a continuidade dos avanços ambientais.

